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A essência do Futebol de Praia

Mário Cagica Oliveira · 3 min

A essência do Futebol de Praia

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É com particular orgulho que faço a primeira publicação relativa a Futebol de Praia no Bola na Rede. Bem sei que esta não é uma modalidade consensual entre os amantes do desporto, por ser excessivamente direcionada para o espetáculo, mas é importante que se tenha noção da enorme evolução que esta sofreu ao longo dos tempos. No meu caso em particular, sou do tempo em que Madjer – ver a sua entrevista ao Bola na Rede AQUI – estava no início de carreira e que fazia com o luso-brasileiro Alan uma dupla absolutamente terrível no ataque. Na defesa, lembro-me bem das enormes defesas do guarda-redes Zé Miguel (que até há bem pouco tempo era o selecionador nacional), da raça de Nunes e do enorme espírito de liderança de Hernâni. Este foi o 5 inicial que marcou a minha juventude e que me fez vibrar, durante o verão, com esta modalidade. Tantas foram as vezes em que os dias de praia foram substituídos por uma bela tarde a ver alguns duelos épicos com a França de Cantona, a Espanha de Amarelle ou o Brasil de Jorginho.

No entanto, os tempos mudaram, a modalidade profissionalizou-se e os intervenientes envelheceram. No futebol de praia atual, Portugal já não é a única seleção a fazer concorrência ao Brasil como grandes potências do desporto. Os últimos anos viram a Espanha crescer (já sem o lendário Amarelle) e uma surpreende Rússia, que até é bi-campeã do mundo de Futebol de Praia. Mudaram-se os tempos, mas a essência da modalidade não mudou. Portugal viu crescer Belchior, formou talentos como Jordan, Torres, Bruno Novo ou José Maria e soube acolher Alan e Madjer na sua equipa como elementos mais experientes do seu plantel.

Madjer e Belchior são as maiores figuras da seleção nacional Fonte: FPF
Madjer e Belchior são as maiores figuras da seleção nacional
Fonte: FPF

Nesta edição do Mundialito de Futebol de Praia, que se disputa em Espinho na Praia da Baía, Portugal entra em campo frente às seleções da Hungria, Japão e E.U.A., fator que me faz duvidar do verdadeiro objetivo dos responsáveis da organização. Antigamente, entravam em campo as 4 melhores seleções do mundo. Neste caso, para além de Portugal, teria de lá estar o Brasil, a Espanha e a Rússia. Mas não. Foram escolhidas 3 seleções muito inferiores à nossa, o que me faz entender que este Mundialito foi organizado apenas para dar motivação aos jogadores portugueses e disfarçar quaisquer tipo de fragilidades que a nossa equipa possa ter, quando falta apenas um ano para a organização do Mundial da FIFA, cá em Portugal.

Sem divagar muito mais sobre este início de Mundialito, Portugal bateu, como se previa, sem dificuldades a Hungria por 5-0, com 3 golos de Belchior, 1 de Jordan e outro de Bruno Novo. Portugal apresentou-se com Nuno Hidalgo na baliza (onde anda Paulo Graça?), Torres e Jordan mais recuados, e Madjer no apoio ao único avançado, Belchior. Em destaque na partida, esteve, obviamente Belchior, que, fruto do envelhecimento de Madjer, se assume cada vez mais como a grande figura desta equipa. Os 3 golos são apenas uma amostra das potencialidades que ele oferece à equipa de Mário Narciso. Numa partida frente a uma equipa praticamente amadora, que se estreava num Mundialito de Futebol de Praia, pouca história há para contar. Portugal dominou por completo, deu espetáculo e soube gerir a partida a seu gosto.

Não termino este texto sem antes deixar a pergunta para os dirigentes da FPF: se não querem matar a modalidade, por que raio é que foram estas as seleções escolhidas para disputar a competição? Nós, portugueses, gostamos de ganhar. Mas sem facilitismos.

Mário Cagica Oliveira

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