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GP de Abu Dhabi: Nico Rosberg é campeão do mundo de F1

Mariana Fernandes · 4 min

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Cabeçalho modalidadesPassou mais um ano. Passou mais um Mundial. Mais vitórias, derrotas, safety-cars e acidentes de arrepiar. Mas, desta vez, o campeão não é o do costume.

Nico Rosberg sagrou-se hoje Campeão do Mundo de F1.

O GP de Abu Dhabi, 21.º e último da temporada, foi o palco de todas as decisões. O alemão da Mercedes não deixou escapar a grande oportunidade que tinha nas mãos e leva mesmo o título para casa.

Rosberg levava a vantagem na classificação; Hamilton tinha a pole-position a deixá-lo ligeiramente à frente. Ainda assim, o alemão estava mesmo ao seu lado, na primeira fila da grelha. O último lugar do top3 ficou para Ricciardo, que foi mais rápido que os dois Ferrari nos últimos momentos da qualificação. Verstappen acabou por ficar atrás dos cavalos rampantes, na sexta posição.

Hamilton precisava de ganhar e esperar que Rosberg ficasse fora do pódio. A Rosberg bastava assegurar um dos três primeiros lugares para ser campeão do mundo.

E, para manter a tradição do resto do campeonato, animação logo na primeira volta. Max Verstappen fez um pião e caiu para o último lugar; o Red Bull tocou no Force India de Hulkenberg a seguir à primeira curva. Depois da autêntica escalada de há duas semanas, o holandês voltava a ter um grande desafio pela frente.

Lewis Hamilton, por sua vez, assegurou a liderança, com Nico Rosberg a segui-lo de perto. As entradas e saídas das boxes, para trocar os pneus para macios, levaram Verstappen a um salto para a segunda posição, à frente de Rosberg. Depois de uma tentativa de ultrapassagem por parte do alemão, a Mercedes pediu prudência; naquela altura, Nico era campeão. Não valia a pena correr riscos. Principalmente com Verstappen.

Nico Rosberg sagrou-se campeão do mundo de F1 34 anos depois de o pai ter alcançado o mesmo feito Fonte: F1
Nico Rosberg sagrou-se campeão do mundo de F1 34 anos depois de o pai ter alcançado o mesmo feito
Fonte: F1

O Yas Marina foi também o cenário da derradeira batalha pelo quarto lugar da geral. Vettel e Verstappen disputavam a posição – o alemão acabou por sair vitorioso. Apesar de ter sido o protagonista de mais uma incrível recuperação, o jovem holandês não foi mais rápido do que o Ferrari e contentou-se assim com o quinto lugar da classificação geral. A Red Bull conseguiu roubar o estatuto de “melhor dos outros” à Ferrari, com o pódio de Ricciardo, e ainda conquistou uma posição a Raikkonen. A scuderia termina o ano com um balanço muito positivo, no que toca tanto ao entendimento dos dois pilotos como ao seu aproveitamento individual. Daniel Ricciardo provou que é um piloto a seguir; Max Verstappen foi a revelação do ano e tem os holofotes da F1 sobre si. A luta deixou de ser entre a Mercedes e a Ferrari – a Red Bull chegou para ficar.

Quanto ao resto da corrida, esta pautou-se pelo desespero de Lewis Hamilton a falar mais alto. Rosberg ultrapassou Verstappen, ficando em segundo; Hamilton estava tranquilo na liderança mas precisava de que o colega de equipa saltasse fora do pódio. A estratégia do bicampeão do mundo era simples: desacelerar, atrasar o ritmo da corrida, compactar o pelotão e proporcionar uma possível aproximação de Vettel e Verstappen e Rosberg. Nada disto aconteceu. Um supersónico Vettel ainda ultrapassou Verstappen e tentou chegar-se a Rosberg, mas a segurança do alemão era intransponível. Nico estava ali para ser campeão.

Lewis Hamilton ganhou mas não foi suficiente. Nico Rosberg foi segundo, garantiu mais uma dobradinha para a Mercedes e levantou o “caneco”. Vettel foi terceiro e levou a quarta posição da geral para casa. Verstappen e Ricciardo ficaram à frente de Raikkonen. Cá mais para baixo, Alonso resguardou um espantoso décimo lugar na classificação geral. O espanhol foi também décimo na corrida e mostrou que, ao contrário do que se pensava, tem ainda muito para dar à modalidade.

Felipe Massa e Jenson Button despediram-se da Fórmula 1. O brasileiro da Williams acabou o GP em oitavo. Button, por sua vez, teve um adeus amargo: o inglês abandonou na volta 13 e não conseguiu terminar a última corrida da carreira. É o fim de uma era: Massa fez história na Ferrari e Button fez correr tinta no ano em que foi campeão. Ficam as imagens, as memórias e as vitórias. Felipe e Jenson vão fazer falta.

O dia pelo qual esperava, como fui dizendo tantas vezes aqui, finalmente chegou. Nico Rosberg é campeão. Polémicas à parte, rivalidades à parte, egos à parte, a verdade é esta. Nico Rosberg é o 33.º campeão do mundo de F1. 34 anos depois de o pai, Keke Rosberg, ter estado no mesmo lugar. É um sonho para ele, para a Mercedes e para todos os adeptos da modalidade que estavam fartos de assistir a uma pseudo-hegemonia. No ano em que a equipa decidiu deixar os pilotos lutar entre si, sem interferências, Nico mostrou que estava preparado. Que tem as mãos calejadas. Que, apesar de não fazer parte da pop culture, de não ser uma celebridade, de não namorar com actrizes e cantoras, está pronto para fazer aquilo que sabe fazer melhor: ser o melhor piloto de Fórmula 1 do mundo.

 

Foto de Capa: F1

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Mariana Fernandes

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