Acabou o martírio de Matt Duchene

Por Tiago Pinto Martins Novembro 13, 2017, em NHL

Acabou o martírio de Matt Duchene

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Cabeçalho modalidadesCom mais de dez minutos ainda para jogar no primeiro período do jogo contra os New York Islanders, Blake Comeau dos Colorado Avalanche sofreu uma lesão e teve que ser retirado do rinque para ser assistido. Atrás dele seguiu outro jogador dos Avalanche, de fininho, a ver se ninguém dava conta. Era Matt Duchene. Isso só poderia significar uma coisa.

A notícia espalhou-se depressa. Duchene era jogador dos Ottawa Senators. Kyle Turris foi dos Senators para a terceira equipa envolvida nesta troca, os Nashville Predators. Os Avalanche receberam Samuel Girard, Vladislav Kamenev, uma 2ª ronda (dos Predators), Shane Bowers, Andrew Hammond, uma 1ª e uma 3ª ronda (dos Senators).

Primeiro Período: Três é a conta que Deus fez.

Há quanto tempo não tínhamos um troca assim na NHL? Uma daquelas que envolvem várias peças e jogadores importantes. Foram precisas 3 equipas, meses de negociações e uma conjugação improvável de factores, mas tivemos a nossa troca. Numa análise muito superficial, todos conseguiram o que queriam, acima de todos, Matt Duchene que pode voltar a sorrir, quase um ano depois de ter pedido para sair dos Avalanche.

Agora, as equipas. Os Predatores foram quem mais deu neste negócio, mas também quem mais recebeu. O primeiro alvo sempre foi Duchene, mas os Avalanche pediam demais. Ao envolver os Senators, os Preds conseguiram o que queriam, um centro de segunda linha em Kyle Turris, sem terem que ceder nenhum jogador do plantel principal. Girard e Kamanev são bons prospects, mas a equipa quer ganhar já e não há dúvida que ficaram mais fortes. Assim que Nick Bonino regressar de lesão, os Preds vão ter uma profundidade no centro do ataque como nunca tiveram. Props para David Poille que, em poucos anos, deixou de ser um dos GM mais conservadores da NHL para passar a ser um dos que mais arrisca. E geralmente acerta. Calle Jarnkrok, Ryan Johansen, P.K. Subban, Filip Forsberg e agora Kyle Turris foram todos adquiridos em trocas.

Kyle Turris marcou no seu primeiro jogo pelos Nashville Predators Fonte: NHL

Kyle Turris marcou no seu primeiro jogo pelos Nashville Predators
Fonte: NHL

Já os Senators ficam com o jogador de maior nomeada envolvido na troca, mas os benefícios são mais marginais. A questão aqui é: a diferença entre ter Matt Duchene ou Kyle Turris é assim tão grande? Os números dizem que não. Apesar de Duchene ter melhor registo no global da sua carreira, mesmo sendo 2 anos mais novo, Turris tem mais pontos que Duchene em 3 das últimas 4 temporadas. Só falhou 2015/16, época em que fez apenas 57 jogos devido a lesão. O contrato de Turris terminava no fim desta temporada e era praticamente certo que não ia renovar, mas o de Duchene só é válido por mais um ano. Os Sens vão ter que renovar os contratos de Cody Ceci e Mark Stone no fim desta época. No ano seguinte têm o de Duchene, Derick Brassard e o de Erik Karlsson. É pedir muito para uma equipa com cap interno. A curto prazo, o factor decisivo será a influência da qualidade dos colegas de equipa. Duchene passou os últimos anos numa das piores equipas da história da NHL, agora vai começar a receber passes de Erik Karlsson. Isso faz milagres.

Por último, os Avalanche. Joe Sakic estava de mãos atadas. Duchene não queria passar por outra reconstrução do plantel, portanto a saída era inevitável, agora ou no fim do contrato. O GM dos Avs ainda arriscou bastante ao manter um jogador insatisfeito no plantel durante quase um ano. Duchene manteve o profissionalismo durante todo o processo, mas os próprios colegas admitiram que era estranho partilhar o balneário com um jogador que estava com um pé de fora. Sakic esperou, enquanto toda a gente desesperava à sua volta, mas acabou por se sair muito bem. Sete activos por apenas um é raríssimo na NHL de hoje. É certo que nenhum destes activos terão efeito imediato na equipa (à excepção de Girard). São sobretudo apostas no futuro, são como bilhetes da lotaria. Tal como na verdadeira lotaria, é sempre melhor ter mais bilhetes.

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Tiago Martins
Nice guy, tries hard, loves the game" é a bio do bi-campeão da Stanley Cup Phil Kessel no Twitter, mas podia, com a mesma precisão, descrever o Tiago. Deixou-se deslumbrar pela NHL quando, em adolescente, viu dois adultos ao soco em cima de patins pela primeira vez. Desde entanto, cresceu e passou a apreciar outros aspectos deste magnífico desporto. Espera transmitir esta paixão a outras pessoas.                                                                                                                                                 O Tiago escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
Tiago Martins

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