ATP World Tour Finals: Dimitrov no País das Maravilhas, e um torneio para refletir

Por Henrique Carrilho Novembro 20, 2017, em Ténis

ATP World Tour Finals: Dimitrov no País das Maravilhas, e um torneio para refletir

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Cabeçalho modalidadesO Nitto ATP World Tour 2017 terminou de uma das formas menos esperadas dos últimos anos. Foi, aliás, um torneio sui generis desde o seu início – não só o lote de atletas apurados para a prova sofreu uma “sangria” (foi notável a ausência de Novak Djokovic, Andy Murray, Stan Wawrinka, Milos Raonic – por lesão – e Juan Martin Del Potro que ficou à porta dos 8 qualificados). Ficava então bem aberta para Rafa Nadal e Roger Federer a porta que dava acesso a mais um troféu do ATP World Tour Finals. Era, no entanto, uma incógnita o estado físico em que Nadal se apresentaria em Londres, visto que chegava de um breve interregno devido às crónicas dores nos joelhos (que voltou a sentir em Xangai, na final frente a Roger Federer). E relativamente a esta dúvida, confirmou-se o pior prognóstico: após uma longa exibição no jogo inaugural da fase de grupos, que culminou na derrota frente a David Goffin, o espanhol número 1 do mundo admitiu perante os jornalistas que não se encontrava em condições para disputar o torneio de forma competitiva e desistiu da prova londrina, dando lugar ao compatriota Pablo Carreño Busta. No fim da fase “round robin”, dois jogadores cumpriram o pleno (3 vitórias, em 3 partidas disputadas): Roger Federer (claro está) e… Grigor Dimitrov. O búlgaro surpreendeu principalmente pela maturidade com que encarou todos os desafios, algo que não foi (de todo) uma norma para os muitos estreantes nas Finals do ATP World Tour.

Nas meias-finais (ordenadas de acordo com a classificação dos atletas nos respetivos grupos) a “fava suíça” calhou a David Goffin, enquanto a outra vaga para a final seria disputada entre Jack Sock e Grigor Dimitrov – estava garantida pelo menos uma presença inédita no derradeiro encontro. A primeira meia-final disputada entre Federer e Goffin começou como todos previam: Roger Federer entrou imperial, com a serenidade de quem já tinha disputado meias-finais do Masters por 13 vezes (13!) ao longo da sua carreira, e levou de vencida o primeiro set de forma sublime pelo parcial de 6/2. Na segunda partida Goffin entrou melhor, e conseguiu fazer o break no jogo inaugural adiantando-se no marcador. E aí, tanto a incapacidade de Roger Federer atacar com a sua esquerda profunda como a visível quebra de velocidade do suíço contribuíram para que Goffin, com o seu ténis simples, mas consistente, mantivesse a vantagem e acabou por consagrá-la com o parcial de 6/3. A derradeira partida era acompanhada de forma vibrante na O2 Arena, em Londres, e os fãs do maestro cedo perceberam que estava a ser colocada em causa a presença do seu ídolo em mais uma final. O jogo continuava igual, com Federer a chegar múltiplas vezes atrasado às bolas, sem poder de fogo e Goffin, aproveitando as condições que se criaram, foi se sentindo progressivamente mais confiante, solto e crente na vitória. Inteligente e frio na hora da pressão o nº1 belga disparou um serviço ganhante e fechou o derradeiro jogo de serviço, carimbando o passaporte para a final com os parciais de 2/6, 6/3 e 6/4.

Roger Federer foi afastado nas meias-finais Fonte: ATP World Tour

Roger Federer foi afastado nas meias-finais
Fonte: ATP World Tour

Visivelmente abatido após a derrota do campeoníssimo helvético, o público londrino recebeu depois dois “meninos” em busca do sonho, que tinha acabado de se tornar ainda mais possível. O americano Jack Sock foi aquele que se adaptou mais rapidamente à ocasião, e fazendo uso do seu permanente arsenal de fogo, recuperou de uma desvantagem de 3-0 para levar o 1º set de vencida por 6/4. O início do 2º set foi semelhante ao primeiro, com o búlgaro Grigor Dimitrov a aproveitar algumas lacunas motoras de Sock, preenchendo muito bem espaços e subindo múltiplas vezes à rede na busca de diminuir o tempo de reação do americano, resultando tudo isto num adiantamento no marcador de… 3/0. Mas desta vez Dimitrov não cedeu aos nervos e, qual homem de gelo, foi frio até ao último ponto do set, que concluiu com o não menos gelado 6/0. Sock viu uma autêntica locomotiva passar por cima de si e ressentiu-se, naturalmente, desse feito no derradeiro set e apesar de ter lutado até ao fim, naquele que foi um excelente jogo de ténis, deixou mesmo escapar o triunfo para as mãos do atual 6º classificado do ranking ATP.

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Henrique Carrilho
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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