Menino prodígio ou tomba gigantes, como preferirem chamar-lhe

Por Henrique Carrilho Agosto 12, 2017, em Ténis

Menino prodígio ou tomba gigantes, como preferirem chamar-lhe

Cabeçalho modalidadesHá alguma coisa mais bonita no desporto do que ver um menino a divertir-se em campo com a irreverência natural da tenra idade e a “perda” de respeito para quem se encontra do outro lado da rede? Na minha opinião, não. E por isso tenho dito que este torneio ATP1000 de Montreal tem sido um dos mais espetaculares eventos do circuito profissional de ténis deste ano. Para além de Alexander Zverev (até onde irá chegar este portento alemão de 20 anos?) que vem de uma vitória no torneio ATP500 de Washington e já está nas meias-finais nesta prova canadiana, a grande estrela tem sido Denis Shapovalov.

“Shapo” é uma mistura de culturas e principalmente países: tem nacionalidade canadiana apesar de ter nascido em Israel, é filho de pais russos e tem residência oficial nas Bahamas. Por ser “da casa” e habitar fora do top-100 à data do sorteio, recebeu wild card para disputar o quadro principal desta prova ATP1000 e é sobre ele que todos os holofotes recaem, mesmo estando ainda em prova o campeoníssimo Roger Federer. O sorteio não se revelou sorridente para o jovem Shapovalov, porém este tratou de o simplificar a seu favor. Na ronda inaugural derrotou Rogério Dutra da Silva, sendo obrigado a disputar uma terceira partida. Esperava-o na segunda ronda a “Torre de Tandil” Juan Martin del Potro que começou bem a prova ao eliminar Isner. Perspetivava-se vida complicada para Shapo pelo que, ao cabo de 1h43 minutos, foi mesmo del Potro que teve o mesmo destino que Dutra da Silva e viu o canadiano vencer a partida por 6/3 e 7/6. Nesta altura, duas coisas eram certas: o jovem Denis estava em forma, a jogar bom ténis e o próximo adversário seria…Rafael Nadal.

Nesse encontro dos oitavos-de-final, o espanhol entrou para court sabendo apenas que tinha pela frente um jovem de 18 anos, 143º classificado no ranking mundial e que, até à data, o mundo apenas tinha ouvido o seu nome por causa da bizarra atitude que o levou a ser alvo de uma pesada multa (na eliminatória da Taça Davis deste ano frente à Grã-Bretanha, Shapovalov, ainda com 17 anos, irritou-se e depois de sofrer break atirou uma bola com força que, sem intenção, acabou por atingir o olho do árbitro de cadeira). Pois bem, nessa noite cedo se percebeu que estava presente o dono de uma feroz e chapada direita de canhoto, um serviço acutilante e uma consistência invulgar no fundo do court. E não era Rafael Nadal. O espanhol nunca pareceu estar confiante nas suas pancadas e viu-se obrigado a recorrer várias vezes a volleys (por vezes despropositados) para ver concluídas as longas trocas de bolas: um sinal claro de que o espanhol não estava à vontade com a situação.

Nadal não resistiu a Shapovalov Fonte: ATP

Nadal não resistiu a Shapovalov
Fonte: ATP

Ainda assim, o primeiro set acabou 6/3 a favor do candidato ao topo do ranking mundial. No set seguinte Shapo manteve a sua enorme agressividade do fundo do campo, disparou winners atrás de winners quer de direita quer de esquerda (e que maravilha de esquerda tem este rapaz!) e, acima de tudo, manteve-se calmo quando a ocasião assim exigia. E o resultado foi 6/4 a seu favor. Quem não conseguia manter a calma de forma nenhuma era o público presente no Centre Court, que se levantava a cada winner disparado por Shapovalov, criando uma autêntica atmosfera de Taça Davis. O momento da partida foi o 3º jogo de serviço do 3º set. Shapovalov tinha o serviço e ao fim de 8 pontos com “vantagem” e 3 break points salvos, conseguiu desenvencilhar-se e continuar na luta. Não houve breaks até ao fim do set e o tie-break chegou para definir o vencedor. Nadal chegou a vencer por 3-0 mas Shapovalov não baixou os braços e depois de igualar 3-3, cedeu apenas um ponto vencendo por 7-4 e levando de vencida o número 2 mundial Rafael Nadal. O espanhol admitiu posteriormente em conferência de imprensa que esta havia sido provavelmente a sua pior e mais dura derrota da temporada, uma vez que estava perto de regressar a número 1 ao invés de Denis Shapovalov que disse estar ainda “sem palavras”.

Passado esse turbilhão de emoções podia prever-se uma “ressaca”, tão frequente em jogadores que como Shapo, têm uma grande vitória inesperada e depois acabam por vacilar frente a jogadores até menos cotados. Shapo teria pela frente Adrian Mannarino para disputar um lugar na meia-final. E o impensável voltou a acontecer. 3 sets, quase 3 horas de ténis ao mais alto nível, e uma reviravolta quase tirada a papel químico do jogo frente a Nadal permitiram a todos os canadianos presentes – incluindo o prodígio de 18 anos – festejar efusivamente este feito.

Zverev vai tentar bater Shapovalov Fonte: ATP

Zverev vai tentar bater Shapovalov
Fonte: ATP

O próximo adversário é Alexander Zverev, que como já foi referido no início do artigo, é um dos melhores do circuito neste momento, e certamente que não poupará esforços para terminar esta caminhada épica de Shapovalov. Já o menino prodígio canadiano tentará chegar à Final pela primeira vez na carreira para, provavelmente, enfrentar aquele que confessou ser o seu “ídolo de criança” Roger Federer. Prevê-se um encontro de alta tensão, entre dois “miúdos” muito emotivos que já mostraram que sabem o que fazer dentro do court e acima de tudo ténis de muita, muita qualidade. O encontro terá transmissão televisiva em Portugal a partir sensivelmente da 1 da manhã (hora portugesa).

Foto de Capa: ATP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Henrique Carrilho
Estudante em Coimbra e apaixonado pelo desporto de competição, sou adepto da Académica mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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