Carta Aberta a: Luís Filipe Vieira

Por Tomás Gomes Janeiro 21, 2015, em Carta Aberta

Carta Aberta a: Luís Filipe Vieira

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Luís Filipe Vieira,

Escrevo-lhe após ter recebido a triste notícia da venda de Bernardo Silva, em definitivo, ao Mónaco por 15 milhões de euros. Escrevo-lhe com tristeza, amargura e raiva. Sentimentos que grande parte da família benfiquista partilha neste momento comigo.

Foram anos e anos a ouvir os adeptos do Sporting a dizer que tinham a melhor formação do mundo, a enxergarem-nos os ouvidos com nomes como Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Diziam que nunca os íamos apanhar. A verdade era que cada benfiquista bem lá no fundo sempre invejou esta produção nacional de talento do Sporting, mas nunca ninguém ousou admiti-lo. Os anos avançaram e academia do Benfica evoluiu, e o senhor teve a lata de vir a público dizer que dentro de alguns anos viríamos a ter um plantel principal baseado na formação do Sport Lisboa e Benfica. A nossa academia melhorou ao ponto de os nossos meninos chegarem à final da Youth Cup. Chegamos ao ponto de estarmos taco a taco com o Sporting no que diz respeito aos jogadores que actuam nas fileiras das selecções de sub-20 e de sub-21. Crescemos e formámos grandes jogadores. Mas para quê?

Bernardo Silva, mais um talento da formação ignorado pelo Benfica... Fonte: Facebook de Bernardo Silva

Bernardo Silva, mais um talento da formação ignorado pelo Benfica…
Fonte: Facebook de Bernardo Silva

Eu quero ganhar, quero ir ao Marquês e não sou fundamentalista ao ponto de achar que o Benfica tem o poderio económico de um Chelsea ou de um Paris Saint-Germain para conseguir manter as pérolas durante toda a sua carreira. Não, o Benfica não é assim. Mas deixar sair estas pérolas tão novas? Com tanto ainda para dar ao clube? E atenção que estes não são jogadores quaisquer. Não são jogadores que vêm de fora, fazem uma brilhante época no Benfica e se vão embora apenas levando o Benfica na memória. Não! E o senhor, como presidente, deveria saber isto melhor do que eu: estes meninos sentem a camisola, amam-na, vivem-na como poucos o fazem. E se há coisa que falta ao Benfica de hoje são jogadores que sintam o peso do manto encarnado, que conheçam as nossas tradições e que vivam o seu dia-a-dia de águia ao peito. Estes jogadores não levam o Benfica na memória, levam o Benfica no coração, um coração certamente triste por não ter tido mais oportunidades de envergar a camisola encarnada. Um coração que iria ser sempre triste porque sentiria que poderia dar sempre mais pelo seu clube do coração.

Sou jovem e talvez seja burro, utopista e sonhador quando digo que em tempos sonhei com um onze do Benfica em que actuavam jogadores promissores como Mika, Nelson Oliveira, André Gomes, Bernardo Silva, João Cancelo… Pura utopia, puro irrealismo de um jovem ingénuo que não conseguiu ver além do amor a um clube. Neste momento duvido de tudo e começo a sentir pena de jovens talentos como Gonçalo Guedes, João Teixeira, Rui Fonte ou Fábio Cardoso, que provavelmente serão apenas a cara de uma promessa falsa: a promessa de um Benfica baseado na formação.

Sr. Presidente, digo-lhe que me contive durante carta para não o denominar por todos os nomes da gíria que me vêm neste momento à cabeça para descrever o seu comportamento e atitude para com a família benfiquista, para com estes jovens que têm ambição de chegar à equipa principal e acima de tudo para com o que são os princípios deste clube. “E PLURIBUS UNUM” não é uma verdade com uma política de formação e gestão como a sua.

(P.S.: Adeus, Bernardo. Um adeus comovido e triste. Que nunca esqueças que esta é a tua casa e que um dia te volte a ver de manto encarnado sobre os ombros e emblema de águia ao peito).

 

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

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Tomás Gomes

O Tomás é sócio do Benfica desde os dois meses. Amante do desporto rei, o seu passatempo favorito é passar os domingos a beber imperial e a comer tremoços com o rabo enterrado no sofá enquanto vê Premier League.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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