Raúl Jiménez: Um investimento seguro

Por João Santos Maio 9, 2017, em SL Benfica

Raúl Jiménez: Um investimento seguro

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Certo dia, a meio da manhã, deu-me a fome e, em jeito autómato, entrei no café mais à mão para pedir uma empada de galinha e um sumo gaseificado. Paguei 2,20 euros pela bucha que, em princípio, daria para enganar o estômago até à refeição seguinte. O problema, porém, é que o dito folhado, tão económico e funcional, deveria estar na montra há pelo menos duas semanas, facto comprovado, de certa forma, pelos sintomas resultantes da sua ingestão. Concluindo: o estômago não se deixou enganar e ainda se vingou brutalmente, encerrando para obras e condicionando, por largas horas, outras funções corporais essenciais. Foram, por isso, 2,20 euros que me saíram bem caro.

Coisas destas acontecem periodicamente. Quem nunca teve de comprar duas torradeiras de 30 euros (visto que a primeira avariou numa semana), ao invés de somente uma de 50, tendo em vista uma poupança teórica rapidamente dissipada? Por vezes, e esta é bem antiga, o barato sai caro e no futebol, no que à contratação de treinadores e jogadores diz respeito, essa máxima permanece válida e actual – já o dizia José Mourinho sobre os jovens jogadores: “são como melões. Só quando tu abres e provas o melão é que tens cem por cento certeza que o melão é bom”.

Raúl Jiménez não custou 2,20 euros; custou 22 milhões de euros. São muitas torradeiras; e ainda mais empadas de galinha. O seu preço é exorbitante para a realidade portuguesa, até mesmo a do futebol, por vezes tão alternativa comparativamente com as restantes. No entanto, a sua rentabilidade, ainda que somente feita em géneros (em golos marcados, entenda-se), deve saldar-se muito positivamente. Os seus golos têm significado muito mais que um simples golo, ou sequer apenas mais uma vitória – Raúl Jiménez tem tirado da cartola, perdão, do sombrero, verdadeiras sentenças competitivas, fatais para o adversário. O mexicano carrega sempre consigo o guião certo para um final feliz.

Os dias (até sábado) custam cada vez mais a passar Fonte: SL Benfica

Os dias (até sábado) custam cada vez mais a passar
Fonte: SL Benfica

Há coisas que não têm preço – deixo o conselho aos meus vizinhos, que o não sabem ou, provavelmente, o foram esquecendo com o tempo. O investimento em Raúl Jiménez é naquilo que nos faz sair de casa, cantar e dançar em comunhão com um mar de gente, que nos faz abraçar e beijar desconhecidos noite dentro em nome de um amor comum e irreprimível e indescritível. Perante este investimento, compreendo a estranheza por parte dos nossos rivais. De facto, custa caro ter 22 milhões sentados no banco de suplentes parte significativa da época. Porém, em comparação, vejam o preço a pagar por terem, em alternativa, um Depoitre ou um Castaignos.

P.S.: de resto, espero que Raúl Jiménez tenha a oportunidade de mostrar no Benfica toda a plenitude do seu valor, já na próxima época, antes do clube trocar o valor em géneros que o jogar nos dá, pelo valor monetário que por ele nos darão.

Foto de Capa: SL Benfica

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O João já nasceu apaixonado por desporto (onde até inclui o Curling). Depois, veio a escrita. A natureza tosca dos seus pés levou-o a ser jogador de andebol e jornalista de jornal e de rádio - a ambição cumpriu-se, mas os bolsos continuaram vazios. Adora uma boa história envolvendo desporto e os seus protagonistas. E apoia (fervorosamente) o Benfica e a Académica.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
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