“Coimbra é uma lição de sonho e tradição”

Por Emanuel Melo Abril 21, 2017, em Clubes Portugueses

“Coimbra é uma lição de sonho e tradição”

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Coimbra, cidade dos estudantes, cidade da tradição académica, da capa traçada, das serenatas ao luar, cidade que carrega em si o espírito de uma cidade diferente, especial. Mas Coimbra não é só estudantes universitários e a universidade. Coimbra é também uma cidade de futebol. A cidade da Académica de Coimbra, um dos clubes mais representativos do país, um dos clubes mais especiais de Portugal.

Depois de várias temporadas inconstantes de um dos clubes mais antigos em Portugal existentes, a Académica de Coimbra desceu de divisão na temporada passada, numa época atípica, onde apenas se conquistaram os três pontos por quatro vezes. Esta Académica, pesem embora os últimos anos, é uma equipa com algumas conquistas interessantes. Basta lembrar que ainda em 2011/2012 ganhou uma Taça de Portugal frente ao Sporting, ou que em 2013/2014 conseguiu um oitavo lugar. A Académica sempre foi um clube de fazer muito com pouco. Com um orçamento reduzido, a equipa dos estudantes sempre pautou pela garra, pela dedicação, incorporando no seu jogar a alma de uma cidade. Só que, na temporada passada, isto não bastou.

Numa temporada em que a equipa da Briosa teve dois treinadores, as coisas não podiam ter corrido pior. Depois de José Viterbo, um homem apaixonado pelo clube, ter conseguido alcançar a manutenção na temporada transacta, a direção da Académica decidiu premiar o técnico com o lugar de treinador na temporada seguinte. As coisas não correram da melhor forma, com o técnico a somar seis derrotas em seis jogos. A decisão passou por trazer para o clube Filipe Gouveia, jovem técnico que estava num bom momento no Santa Clara e que já havia feito bons trabalhos, tanto no Salgueiros como no Boavista, e que já tinha igualmente passado pela casa dos estudantes, como adjunto. O técnico ainda tentou remar contra a maré mas um plantel desiquilibrado e uma época mal preparada levaram à inevitável descida de divisão da Briosa.

Em 2012, festejou-se um título histórico na cidade de Coimbra. O sonho dava lugar à realidade Fonte: Académica OAF

Em 2012, festejou-se um título histórico na cidade de Coimbra. O sonho dava lugar à realidade
Fonte: Académica OAF

O pesadelo, desta feita, estava mesmo a acontecer. Os adeptos mal queriam acreditar mas era verdade: a Académica estava na segunda divisão, depois de 13 participações consecutivas no mais alto escalão do futebol nacional. Mas havia mais. José Eduardo Simões, presidente do clube desde 2004, abandonava a presidência da equipa coimbrã, obrigando a uma nova reestruturação no clube.

Nesta época, a equipa da Briosa fez uma grande aposta na juventude. São muitos os jovens que constituem o plantel da equipa de Coimbra. A aposta da direção passou pela permanência de alguns jogadores com alguns anos de casa, como Rui Miguel, Marinho e João Real, incorporando alguns novos jogadores vindos, principalmente, da formação. A época foi algo intermitente com a Académica, em alguns períodos da temporada a estar longe dos primeiros classificados e noutros a estar perto dos primeiros lugares. A verdade é que Costinha nunca reuniu total consenso dentro da massa associativa da Briosa e a temporada acabou por ser sempre irregular. Para agravar a situação, Paulo Almeida apresentou a demissão do cargo de presidente do clube. Pedro Roxo foi o escolhido para ocupar o lugar deixado em branco.

O projeto da Académica é interessante. O futuro do clube tem de passar, inevitavelmente, pela aposta na formação do clube. Nesta temporada os iniciados, juvenis, e júniores da Académica estão a disputar o título de campeões nacionais. A aposta já foi diversas vezes vincada, sendo que agora vão começar a ver-se frutos. Falta apenas estabilidade a um projeto que está a dar os passos certos. Já nesta temporada, jogadores em idade de júnior, como André Vidigal, João Simões e Leandro Cardoso, estrearam-se pela Briosa, tendo os primeiros minutos como séniores. Os próximos anos prometem no que toca ao surgimento de ainda mais exemplos.

A Académica tem tudo para voltar a ser grande no futebol nacional. A Académica tem uma região do seu lado, tem um espírito inabalável, uma história sem igual no futebol nacional. A Académica está carregada de um simbolismo muito próprio, de um clube histórico. Que esta Briosa volte a mostrar o brio de outrora e que volte a ser “sonho e tradição”.

Foto de Capa: Académica OAF

Emanuel Melo
O Emanuel está no terceiro ano da licenciatura em Comunicação Social e Cultura. Vem da terra do Pauleta, das paisagens deslumbrantes e do queijo Terra Nostra. Benfiquista desde que se conhece. Gosta de ver a Premier League e espera um dia poder vir a ser relatador de futebol.                                                                                                                                                 O Emanuel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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