Lille 0-1 FC Porto: Vitória sem grandes euforias

Por Redação BnR Agosto 20, 2014, em FC Porto

Lille 0-1 FC Porto: Vitória sem grandes euforias

Começou da melhor forma a aventura europeia do Futebol Clube do Porto esta época. O estádio Pierre Mauroy foi palco de um jogo dominado pelos Dragões, em que o Lille nunca deixou de tentar mostrar o porquê de ser o “campeão do seu campeonato” (como disse num outro texto de antevisão, PSG e Mónaco estão “noutra liga”) e que só pecou pela vitória escassa do conjunto vindo do norte de Portugal. Lopetegui demonstrou desde logo ter um grande respeito pelo adversário e, sabendo que esta eliminatória tem 180 minutos e não apenas 90, entrou com um onze surpreendente…  apenas para quem não acompanha os azuis-e-brancos. Teve todo o sentido incluir Casimiro no “miolo” para ajudar Rúben Neves (mais um enorme jogo do jovem de 17 anos, que ganhou o seu espaço no meio dos graúdos!) e Herrera nas missões mais defensivas para deixar o jogo ofensivo entregue ao maestro Óliver e ao sempre deambulante Brahimi. O homem-golo foi evidentemente o Cha Cha Cha, Jackson Martinez.

Num jogo que exigia concentração a 100%, Quaresma ficou no banco (diria que perdeu a titularidade para Brahimi devido aos inúmeros erros que apontou desde que desligou o chip ao minuto 65 do jogo com o Marítimo). Do outro lado, o Lille apresentou o poderoso Mavuba no meio-campo, o “bate na sombra” Balmont e o gigante Origi na frente, no apoio ao sempre rápido Kalou)

No seu primeiro jogo europeu, Lopetegui optou por deixar Quaresma de fora  Fonte: UEFA

No seu primeiro jogo europeu, Lopetegui optou por deixar Quaresma de fora
Fonte: UEFA

A primeira parte foi dominada pelos dragões mas terminou sem grandes oportunidades de golo, exceptuando um remate de Rúben Neves à passagem do minuto 11 numa grande jogada coletiva, e foi sem surpresa que o intervalo chegou com um nulo. Nos primeiros 45 minutos destacou-se a supremacia do FC Porto e o gosto pela posse de bola dos azuis e brancos (que chegou a estar 30%-70% a favor dos dragões). Pelo contrário, nos últimos 5 minutos do primeiro tempo o Porto deixou-se ir no jogo dos franceses e permitiu duas ou três investidas perigosas à baliza do, até então, espectador Fabiano. De destacar também o relvado seco que não permitiu as saídas rápidas habituais do Porto (claramente estratégia dos responsáveis pelo clube francês, que negaram a rega do terreno de jogo) e um penalty claro por assinalar sobre Jackson Martinez ao minuto 28, num lance que o árbitro principal não poderia ver mas que o árbitro de baliza tinha obrigação de assinalar.

Óliver e Brahimi não conseguiram dar profundidade aos corredores e por isso esperava-se a entrada de um jogador com as características de Tello ou Quaresma. O segundo tempo trouxe um jogo igual: um Porto dominante mas sem conseguir penetrar no último terço da “teia” francesa. A tão anunciada substituição sucedeu ao minuto 59, com a escolha de Lopetegui a recair sobre Tello, em detrimento do apagado Brahimi. E não podia ter-se revelado uma escolha mais acertada por parte do treinador espanhol: volvidos 2 minutos, golo do Porto! Grande jogada coletiva iniciada por Herrera, com uma triangulação fantástica entre Tello e Rúben Neves, culminada com um cruzamento do extremo espanhol com conta, peso e medida para Jackson, que desferiu um cabeceamento para uma grande defesa do guarda-redes dos locais e permitiu a Herrera, livre de oposição, fazer a recarga para o fundo das redes. Estava feita justiça no marcador. Nota para Tello, que em pouco menos de 45 minutos oficiais de dragão ao peito já entrou diretamente para 2 golos (assistência para Jackson contra o Marítimo e cruzamento para o golo de hoje).

Herrera marcou o único golo da partida  Fonte: UEFA

O mexicano Herrera marcou o único golo da partida
Fonte: UEFA

O jogo baixou então de ritmo e as equipas voltaram ao que tinham sido os momentos finais do primeiro tempo: jogo muito “mastigado” a meio-campo e tendência para se jogar bola longa, favorecendo os franceses. Aos 72 minutos, para surpresa do universo portista, Lopetegui decidiu tirar Rúben Neves (até então o melhor jogador do conjunto azul-e-branco) e fazer entrar Evandro, também estreante na Liga dos Campeões. O jogo portista partiu-se ainda mais e a ligação defesa-ataque passou a ser feita essencialmente por Herrera, com Tello a aparecer em zonas interiores (Óliver já estava de rastos). Ainda houve tempo para Quaresma entrar, naquela que foi uma substituição para queimar tempo.

No intervalo desta eliminatória, a equipa do FC Porto terá mais motivos para encarar com optimismo o segundo jogo no Estádio do Dragão, fruto do resultado obtido em solo francês. Mas desengane-se quem pensa que a passagem à liga milionária está garantida: tudo pode acontecer e todo o cuidado será pouco para ambas as equipas. Espera-se que em Portugal a equipa da casa entre a mandar (como de costume) e que a atrevida equipa do Lille venha tentar fazer aquilo que não conseguiu fazer em casa: golos.

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Rúben Neves voltou a mostrar muita maturidade no meio-campo portista
Fonte: UEFA

A Figura

Rúben Neves e Tello – não fosse a saída da jovem pérola dos azuis e brancos, seria de longe o melhor jogador em campo. Lopetegui colocou-o a “8”, e não a “6”, e o menino Rúben cumpriu na perfeição aquilo que lhe foi pedido: ajudar a defender, fechando espaços, e apoiar no ataque, sendo o homem mais recuado no triângulo formado entre o portador da bola e dois companheiros, oferecendo sempre uma linha de passe. Brilhante! Já Tello trouxe ao jogo aquilo que até então faltou: profundidade pelos corredores. Pela jogada do golo, 2 minutos depois de entrar, merece destaque.

O Fora-de-Jogo

Jackson Martinez e UEFA – o avançado do Porto teve a vida difícil, mas hoje cedeu demasiado aos centrais do conjunto francês: recuou demais e perdeu demasiadas bolas aéreas, fazendo um jogo aquém das expectativas. Já a UEFA também merece uma referência negativa (mais uma vez!): para além de permitir, sem motivo aparente, o fecho da cobertura do estádio do Lille (o que abre um precedente grave, uma vez que iremos ver equipas a querer jogar sob uma neve intensa, sem fechar a sua cobertura), ainda não entendeu que os árbitros de baliza são meros espectadores com vista privilegiada: o penalty sobre Jackson é escandaloso e o árbitro de baliza tinha obrigação de o assinalar. Mais uma vez, a UEFA de Platini a fazer das suas (curiosamente contra portugueses, curiosamente a beneficiar franceses…).

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