O sonho comanda a vida

Por Telmo Martins Dezembro 13, 2016, em FC Porto

O sonho comanda a vida

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À partida para o sorteio na sede da UEFA, para os oitavos de final da Liga dos Campeões, os responsáveis portistas sabiam que nenhuma das equipas possíveis seria “fácil” e que se estavam nos oitavos-de-final desta prova, era porque tinham valor e tinham passado em primeiro nos seus grupos.

Do lote de possíveis adversários encontravam-se: Barcelona, Arsenal, Nápoles, Juventus, Atlético de Madrid, Dortmund e Mónaco. Em teoria, Nápoles e Mónaco poderiam ser os mais acessíveis mas é necessário relembrar que o Mónaco é a equipa mais concretizadora de todos os campeonatos europeus, e com um treinador que está a fazer um trabalho estupendo à frente dos monegascos, e por outro lado, o Nápoles que para os mais distraídos, pratica um futebol de qualidade, com uma excelente organização defensiva e ofensiva (apesar da longa lesão de Milik) e que tem um treinador com larga experiência e que colocou esta equipa num patamar elevadíssimo. Portanto, o sorteio seria sempre difícil e qualquer adversário teria de colocar o FC Porto a jogar o seu melhor futebol para ter hipóteses de ultrapassar esta fase.

Calhou em sorte a equipa da Juventus ao FC Porto no sorteio para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Uma reedição da final da Taça das Taças em 1984 (derrota dos dragões). Um adversário temível e que se afigura como uma prova de fogo para a equipa do FC Porto que, ao chegar a esta fase, atinge um dos objetivos da época mas que deve sonhar (e tem qualidade para isso) em ultrapassar a equipa da Vecchia Signora, que conta com um plantel repleto de estrelas e que combina a qualidade com a vasta experiência na Europa do futebol.

A Juve tem muitos pontos fortes Fonte: Juventus

A Juve tem muitos pontos fortes
Fonte: Juventus

A Juventus tem dominado o futebol italiano, sendo pentacampeã com relativa facilidade e conta no seu plantel com estrelas como Dybala, Higuaín, Pjanic, Marchisio, Alex Sandro, Dani Alves, Khedira, Chiellini, Bonucci, Barzagli e Buffon. Ou seja, combina experiência com estrelato, como acima referido, e os centrais da Juventus e o GR jogam juntos há muitos anos e conhecem a forma de jogar, tendo todos os movimentos rotinados e sabendo onde se posicionar. É uma equipa que defende, apesar da tática de três centrais, com cinco defesas devido aos recuos de Alex Sandro/Evra e Dani Alves/Liechsteiner. São laterais que dão profundidade ofensiva e defensiva.

Apesar disso, o sistema defensivo não é perfeito visto que joga em profundidade, o que permite progressão de bola pelo adversário e algum espaço à entrada na área até porque os laterais, muitas vezes, são obrigados a aproximar-se dos centrais e isso também abre espaços nos corredores laterais. Ofensivamente privilegia o corredor central tendo em Marchisio, Pjanic (que é um exímio marcador de livres) e Khedira os motores a meio campo e que conduzem a equipa tendo na frente de ataque uma das grandes promessas do futebol na figura de Paulo Dybala e o finalizador Higuain que, apesar de não trabalhar tanto como Mandzukic, é letal na hora de apontar à baliza.

É, assim, uma equipa com muitos pontos fortes mas também que apresenta debilidades que o treinador e sua equipa técnica têm de saber aproveitar para o FC Porto ter uma real chance de se apurar para a próxima fase. As odds não estão a favor dos azuis e brancos mas o futebol é ganho e jogado em campo e aí, são 11 contra 11 e nesses 90 minutos, o FC Porto tem de ser uma equipa inteligente, que perceba os momentos de jogo, que não cometa erros desnecessários e que tenha uma alma de campeão. Possível de se qualificar? Sem dúvida que sim. Difícil? Para estar entre os melhores tem de se mostrar que se merece lá estar e esta é uma oportunidade para cimentar o estatuto do clube a nível mundial e solidificar uma estrutura que se encontra mais fragilizada. Serão dois grandes jogos e que tenhamos duas noites europeias que deixem na memória as melhores das recordações.

Foto de capa: FC Porto

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Eterno apaixonado por futebol, tem no Porto a sua eterna paixão. A atualidade desportiva faz parte da sua génese, lendo desde muito novo os jornais desportivos que o seu avô o incutia a ler. Vê jogos de futebol com o seu pai desde os 3 meses de idade (de pequenino é que se torce o pepino). Joga futebol e futsal com os amigos sempre que pode. Tem também no ciclismo um apreço especial. Fora de Portugal, adepto incondicional do Tottenham Hotspur e do Real Madrid.                                                                                                                                                 O Telmo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
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