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Filha de dois nomes grandes do nosso desporto – Terezinha Vaz e Joaquim Carvalho – e irmã de outra grande promessa – Marisa Vaz Carvalho – Teresa foi notícia em 2014 quando com apenas 19 anos saltou 6.52 metros, tornando-se na, altura, a segunda melhor atleta portuguesa da história, com uma marca que significava um novo recorde nacional júnior e sub-23, além de lhe ter dado o título do Campeonato do Mediterrâneo Sub-23. O recorde júnior ainda o mantém e o sub-23 apenas o viu ser batido no passado dia 27 de Maio, sendo neste momento a terceira melhor atleta da história no Comprimento. 

Depois de uma temporada 2014 em grande, uma lesão bastante grave no tendão rotuliano impediu a atleta de marcar presença nos Jogos Olímpicos do Rio, que era o seu grande objectivo na altura. Desde o seu regresso, redefiniu objectivos e prepara-se agora para voltar aos grandes saltos, focando-se a partir do próximo mês exclusivamente no Atletismo. Conversámos com a mesma após os Great City Games de Manchester, numa entrevista onde a atleta não evitou qualquer tema e mostrou-se bastante recetiva a todas as perguntas. 

Bola na Rede/Planeta do Atletismo: Este foi o teu primeiro evento do género. O que é que achaste da experiência e o que achas destes eventos no geral?

Teresa Vaz Carvalho: Foi uma experiência muito engraçada mesmo, completamente diferente daquilo a que estamos habituados. Eu cheguei aqui a pensar que ia estar numa verdadeira prova, mas na realidade eu não estava numa prova, eu estava num espectáculo de Atletismo. Uma experiência que eu nunca tinha vivenciado nem em Portugal, nem fora do país. A maioria dos atletas voltam todos os anos a este evento mesmo por isso, eles dizem que não se sentem a fazer Atletismo, sentem pura diversão a fazer aquilo que estão a fazer. A cultura do desporto aqui em Inglaterra é também muito forte e as pessoas sabem o que está a acontecer e percebem o desporto, o que ajuda imenso ao espectáculo. Uma experiência super diferente e em que só posso tirar coisas positivas.

Teresa Carvalho em destaque no evento de Manchester
Fonte: Bola na Rede/Planeta do Atletismo

BnR/PdA: No que diz respeito à competição, ficaste satisfeita com o teu resultado?

TVC: Não totalmente. Eu vim sozinha, nem tinha cá a minha mãe, que é a minha treinadora, nem o meu manager e estava um bocado sem noção. Consegui acertar a corrida no aquecimento, entrei bem no primeiro salto, com um SB o que é sempre bom mas depois como não tive aquele feedback…saltei e nem sabia onde tinha posto o pé, então fiquei um bocado perdida na prova. No segundo salto percebi que ia dar nulo, então encurtei a corrida e não saiu bem. No terceiro, fiz uma possível contratura no quadríceps e depois no quarto salto já fui saltar com dores e nem o devia ter feito. Mas valeu muito pela experiência. Tenho a certeza que numa pista diferente, o resultado será diferente porque o piso aqui era uma plataforma montada e o tartan escorregava um pouco – todos os atletas se queixaram disso um pouco, mesmo nas provas de velocidade. O Aries Merritt, por exemplo, caiu nas barreiras porque a pista era muito rápida, os bicos agarravam, mas a pista flutuava.

BnR/PdA: Já fizeste uma marca (6.16) muito próxima do teu melhor na temporada passada (6.20). Os mínimos para os Europeus são 6.60 metros. Para os conseguires terás que bater o teu recorde pessoal (6.52). É um dos teus objectivos para este ano?

TVC: É, sem dúvida! É o meu maior objectivo para esta época. Quero principalmente estar consistente na casa dos 6.40 e conseguir esse salto de 6.60 para ir ao Europeu este ano. Eu acho que sinceramente esse salto está para breve. O nulo que eu fiz aqui era um bom salto e os próprios 6.16 foi um pouco a travar e no início da tábua. Acho que sim, é algo que espero conseguir nestes meses que faltam antes do Europeu.

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.