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entrevistas bola na rede

O guarda redes do GD Estoril-Praia demonstrou que não é só nos relvados que brilha. Numa conversa em que se falou de tudo um pouco, José Moreira pronunciou-se sobre o futebol em geral. De Trapattoni a Ter Stegen, e do Chipre a Olhão, Moreira deu um pouco a conhecer de si mesmo e dos seus princípios enquanto profissional. Vem saber o que é a “ festa do futebol” na ótica de um experiente guarda redes que já muito singrou no mundo do futebol e de que forma é que tornamos o futebol  num desporto ideal.

Bola na Rede [BnR]: Moreira, começamos com o atual momento do Estoril. Agora com o novo treinador, como é que as coisas estão a correr e o que é que espera para o futuro e para o resto da época?

José Moreira [JM]: Com a chegada do mister Ivo, deu-se o ponto de viragem que nós estávamos a necessitar. Felizmente conseguimos pontuar logo no primeiro jogo dele, na Madeira, o que foi importante. Depois mantivemos essa linha em casa e infelizmente perdemos na Luz, mas no regresso à nossa casa, e no último do ano, conseguimos vencer o Aves. Era a vitória que nos faltava para das mais ânimo e mais vontade e para começar 2018, respeitando o Setúbal, com uma vitória.

BnR: O Estoril voltou a vencer e inclusive a marcar, algo que já não fazia há alguém tempo. Sente que a equipa está agora a jogar mais livre e a praticar um futebol mais positivo?

JM: Vocês melhor do que nós conseguem ver isso. Acho que estamos a jogar um futebol mais positivo, mais de ataque. Estamos a tentar jogar no meio campo adversário e estamos com uma equipa muito coesa. A equipa técnica trouxe-nos muita vontade em jogar um futebol positivo e mais motivação para conseguir bons resultados. O último jogo de 2017 foi já uma vitória e queremos continuar com essa senda vitoriosa porque o Estoril e os seus adeptos merecem.

BnR: O Moreira é já um guarda redes com uma vasta experiência, com passagens por Inglaterra, Chipre e até mesmo pelo Benfica. Sente que o seu papel no Estoril é ainda mais elevado por isso mesmo?

JM: Não só por ser o jogador mais velho, mas também por ter já uma vasta experiência como disse, é óbvio que a minha experiência pode ajudar certos “meninos” a adaptarem-se ao futebol europeu, ao Estoril, à vila do Estoril e a esta envolvência toda porque o Estoril é um clube especial. Só quem está cá dentro consegue ver e respirar tudo aquilo que é o Estoril. É um clube com várias vertentes. E eu, sendo dos mais velhos, tento passar o que é o Estoril e o que é o futebol português.

BnR: O Estoril é um clube que, como se pode ver pelas redes sociais, toma várias iniciativas (tanto lúdicas como pedagógicas). Acha que essas iniciativas fortalecem o espírito de equipa e criam laços entre os jogadores?

JM: Acho que sim! Nós aqui somos jogadores que estamos envolvidos na sociedade através de iniciativas da SAD e da estrutura. Fazemos visitas pedagógicas e tentamos também interagir com toda a zona aqui envolvente do Estoril para que possamos ter cada vez mais adeptos. O futebol é bonito com espetáculo na bancada e hoje em dia fala-se tanto de programas televisivos, mas a beleza do futebol são os jogadores e os adeptos. Isto é que é a festa do futebol e o Estoril tenta fazer isso mesmo: um futebol positivo, de fair play, tanto dentro como fora do campo.

BnR: Falando agora da temática que mencionou, a forma como hoje se vive o futebol em Portugal, que conselho é que dá aos mais jovens e o que perspetiva para o futuro do futebol português?

JM: Eu acho que é importante trazer os mais jovens aos estádios e fazer com que ele desfrutem dos jogos. Sabemos que muitas vezes os horários não são os mais convenientes para crianças e jovens irem porque, por exemplo, há escola no dia seguinte, mas ver um jogo na televisão é uma coisa, ver no estádio é outra. Eu cresci a ir ver o jogo da equipa da minha vila ao estádio e é isso mesmo que faz crescer o bichinho e que faz parte do futebol. O facto de poderes ir ao estádio é que te faz apoiar a tua equipa local, não é ver o jogo na televisão. Na televisão vês jogos de todo o mundo, a envolvência que o futebol provoca é que é o bonito.

BnR: Falámos há bocado da sua experiência. Com passagens pelo Benfica, Olhanense, Chipre e Inglaterra, que diferenças é que encontra em termos do futebol?

JM: A maior diferença que eu noto, por exemplo, de Portugal para Inglaterra é que em Inglaterra 85/90% dos jogos são todos à mesma hora e no mesmo dia e, por isso mesmo, esses jogos lá não dão na televisão. Conclusão: se eu quero ver o jogo das 15H ao sábado, eu tenho de ir ao estádio. Não passa nenhum jogo na televisão. As pessoas que gostam de futebol e das suas equipas têm de ir ao estádio ver. Era o que eu gostava de ver em Portugal: jogamos à tarde, em que pessoas almoçam junto do estádio, vêm a sua equipa e depois ficam a conviver e a lanchar ainda perto do estádio. Fazem sempre a festa, a festa do futebol. Cria-se uma envolvência muito bonita. Em relação ao Chipre, a grande diferença que notei passa pelo fanatismo dos adeptos. Lá as claques e os grupos organizados são mesmo fanáticos e apoiam a equipa do princípio ao fim. Se for preciso, depois de um resultado negativo, vão ao campo de treinos puxar pelos jogadores. Às vezes até nem num bom sentido, fazem mesmo um puxão de orelhas. Falando do futebol português, já esteve melhor, já esteve pior. Eu espero é que haja paz neste desporto e que nos concentremos no que é bonito: a festa do futebol e passar uma mensagem positiva aos jovens de irem aos estádios. Tudo o resto são outras águas.

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