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Campeão na WCW e na WWE, um dos maiores nomes do wrestling japonês, Tajiri esteve em Portugal para o seminário do O CTW (Centro de Treinos de Wrestling). A passagem pela WWE, o sucesso de Nakamura e Asuka e o seu futuro foram alguns dos temas abordados nesta entrevista em exclusivo ao Bola na Rede.

Bola na Rede: O que o levou a ser wrestler?

Tajiri: Eu sempre gostei de wrestling. Quando era mais novo, todas as crianças no Japão queriam ser wrestlers, o wrestling era muito conhecido e popular. E eu segui esse sonho, começando a treinar kickboxing e depois wrestling.

BnR: O Tajiri começou a mostrar-se na ECW. Foi um caminho difícil até chegar aí?

T: Eu queria ser como o Ultimo Dragon, sempre foi a minha grande referência. Ele não conseguiu singrar no Japão por ser demasiado pequeno, mas teve bastante sucesso no México. Fui para o México para aprender, estive numa escola de “Lucha Libre”. Não foi fácil ir para o México, eu era muito jovem, não falava espanhol e a adaptação, numa fase inicial, foi complicada.

BnR: Como surge a oportunidade de ir para a ECW?

T: Enquanto estive no México, não lutei as vezes que desejava. Quem era responsável pela companhia de wrestling onde eu estava era grande amigo do Paul Heyman, na altura dono da ECW. Vivia-se um período conturbado para a companhia, pois a WCW conseguia contratar muitos lutadores da ECW. Na altura o Paul Heyman falou com a minha companhia, à procura de wrestlers e eu e o Super Crazy fomos recomendados. E a partir daí comecei a lutar na ECW.

BnR: Que memórias tem da sua passagem pela ECW?

T: No inicio foi muito complicado, eu era muito jovem e quando comecei na ECW, eu não sabia nada sobre o wrestling americano. Fui para o Estados Unidos por uma questão monetária. Mas com o passar do tempo fui me apercebendo do potencial do wrestling americano e percebi a sua importância.

BnR: Foi campeão de tag team juntamente com Eddie Guerrero. Como foi partilhar o ringue, e não só, com o Eddie?

T: Já foi há muito tempo. O Eddie era hispano-americano, mas o seu espírito era japonês, como um samurai. Antes dos combates ele estava sempre nervoso. Antes de entrar no ringue ele tremia sempre muito, mas mal passava a cortina e entrava no ringue, ele mudava e ficava bastante profissional. Foi um prazer poder ter partilhado o ringue com ele.

Fonte: Ricardo Roque/ Numero F

BnR: Também foi campeão de equipas com William Regal, com quem teve uma forte relação. Como foi ser colega de Regal?

T: William Regal era um grande nome e eu ainda não era nada na WWE. Eu ficava sempre muito nervoso, no inicio da nossa “tag-team” por estar ao lado dele, mas com o tempo isso foi passando e aprendi muito com ele. Ganhei um grande amigo.

BnR: Foi campeão Cruiserweight na WWE e na WCW e também fez parte do 205 live. Quais é que são as grandes diferenças entre as duas gerações?

T: Há 12 anos havia mais liberdade para o wrestlers, agora a WWE é como uma escola. Na minha segunda passagem pela WWE (2016), após a minha lesão e o afastamento dos ringue, fui treinar no Centro de Formação da companhia, ensinando os lutadores mais novos e a passar um pouco da minha experiência. Mas há 12 anos, nós tínhamos mais liberdade e também mais carácter, hoje os lutadores parecem todos iguais. Há uma maior formatação. No meu tempo, podíamos fazer o que queríamos no ringue.

BnR: Falando da primeira passagem pela WWE, o que aconteceu para ter abandonado a companhia em 2005?

T: Eu sempre gostei muito de escrever e da área do jornalismo. Na altura, quis me dedicar mais à escrita, relacionada com o wrestling e não só, também quis estar mais próximo da minha família e por isso senti que era o momento certo.

BnR: Por falar sobre ser um writer na industria do wrestling. Gostava de voltar à WWE como um writer ou com um papel activo nas storylines, como General Manager?

T: Não, não volto mais para a WWE. O ano passado voltei, mas o meu tempo na WWE já terminou. Muitos wrestlers quando saem da WWE alimentam a esperança de voltarem à companhia mais tarde, mas eu já não penso nisso. Nem como writer até porque não falo bem inglês. No Japão cheguei a ter esse papel.

BnR: Mas vê o seu futuro como um writer no wrestling?

T: Não. Eu quero escrever sobre tudo. Quero escrever por paixão. Neste momento, dedico-me mais a explorar a maneira como as pessoas de diferentes culturas e diferentes países tratam o wrestling.

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