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O dia mais importante do resto das nossas vidas

Quarta–feira, 28-02-2018, 19h45

Foi por entre uma chuva imperdoável para quem teve de se fazer à estrada a caminho da nova “Fan Zone” de Caldas da Rainha, que se viveram os minutos anteriores ao sopro inicial do sonho Caldense.

A noite já havia caído há muito. Os ponteiros do relógio demoravam a passar. Foram semanas de espera. Finalmente o primeiro dos dois grandes dias estava aí. E eu também aqui estou.

Misturo-me por entre cachecóis ao pescoço, por camisolas do clube da cidade envergadas com orgulho e até por pinturas faciais com as cores do Caldas SC.

Todas as idades me envolvem, procurando acomodar-se o melhor possível, para, em conjunto, partilharem estes 90 minutos de ânsia, de nervosismo, e acima de tudo, de alegria e orgulho. E também eu aqui me procuro acomodar por entre cada um destes “sonhadores”.

Mini-estádio em Caldas da Rainha
Fonte: Bola na Rede

Quarta–feira, 28-02-2018, 20h15

Início do jogo. Mesmo querendo manter a distância emotiva que me parece ser essencial, torna-se inspirador o brilho tão especial de muitos dos que fixam todos os seus sentidos no ecrã.

Gritou-se golo nos primeiros instantes do jogo. Afinal a bola não entrara, mas para quem estava mais longe do ecrã mágico até que havia dado a impressão que a bola se havia aninhado nas redes avenses. Os que se levantaram, de braços esticados, caiem sobre os seus assentos, convencidos que a bola não entrara, mas com um aumento substancial de fé após aquela entrada de rompante.

Aplaudiram-se aqueles primeiros minutos daquela humilde equipa do Campeonato Nacional de Seniores que mais parecia jogar no mesmo campeonato que o seu opositor.

Veio a primeira grande penalidade. O momento que realmente alterou o decurso daquela noite. Não daquele jogo jogado lá longe, mas daquele mini estádio a fazer lembrar as noites em que os Campeões da Europa nos “obrigavam” a ficar unidos em verdadeiras multidões, presos a um ecrã e a um espacinho às vezes curto e pouco cómodo mas ocupado por corações imensos.

A defesa de Luís Paulo fez esquecer alguns protestos e convergiu em definitivo quase todos os olhares para as Aves. Os que teimavam em ser desviados pelos paladares que se iam satisfazendo, foram assim absorvidos na mão do guarda redes caldense.

Mas veio a segunda grande penalidade. “O choque era inevitável! Somos muito pequenos! Não nos deixam ir mais longe!” Foram soltos desabafos de quem percebia que defender uma segunda penalidade talvez fosse demais para uma só noite. E de facto a bola entraria. Nem mesmo aquele grito de Caldas fora suficiente para fechar o espaço entre o corpo do número um do Caldas e a relva.

Intervalo. Nenhum desânimo e muita crença e orgulho. “Se ficar assim não vai ser fácil para eles cá na 2ª mão” já se vaticinava.

O segundo tempo foi vivido ainda com mais “alma”. Talvez porque a fome tinha dado lugar à satisfação, ou porque à medida que os minutos vão correndo vamos ficando cada vez mais presos à tela, à trama que nos vai consumindo.

Já não se avistava nenhuma cadeira vazia. À frente crianças sentadas no chão. Nas laterais da plateia dezenas de pessoas em pé.  O “estádio” estava repleto e só faltava o grito que se pretendia por uma vez que fosse. O grito que se ouviria até na Vila das Aves. O grito de quem sabe que hoje é “um dos dias”. Daqueles dias que provavelmente irão ficar por muitos anos na memória de quem os viveu. Daqueles dias que eventualmente não se repetirão para muitos dos que hoje aqui estão.  Mas esse grito não surgiu.

Mas a cada minuto que passava, a cada defesa, a cada corte daquele capitão de uma garra imensa, a cada corrida desenfreada daquele miúdo de cabelo estranho, a cada bola parada para a equipa do Caldas SC, lá se voltava a ouvir palmas e gritos de “Caldas, Caldas, Caldas.”

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