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Cabeçalho Futebol Internacional29 de maio de 1991, final da Taça dos Clubes Campeões Europeus em Bari, Itália. A Europa vê uma nova equipa inscrever o seu nome na galeria de honra dos vencedores da mais prestigiosa competição de clubes na Europa, o gigante dos Balcãs, um clube que havia sido fundado, em 1945, por membros da Juventude Antifascista da Sérvia, falo do Fudbalski Klub Crvena Zvezda (ou Estrela Vermelha, como é mais sobejamente mais conhecido em Portugal).

26 anos depois, o clube sérvio volta a estar nas bocas da Europa, findada a fase de grupos da Liga Europa, o Estrela Vermelha foi a segunda melhor defesa desta ronda, num grupo que contava com Arsenal e Colónia, concedendo apenas dois golos em toda a fase de grupos, melhor só mesmo o Red Bull Salzburgo com um golo sofrido. Muitos dos adeptos de futebol provavelmente já questionariam a situação atual desta equipa histórica que foi desaparecendo aos poucos após atingir o seu auge em 1991.

Não existe uma explicação logica para o “apagão” que o Estrela Vermelha sofreu desde então, mas certamente que os problemas sociais que atingiram a antiga Jugoslávia e a guerra que se sucedeu não terão contribuído para a continuação deste bom momento que a equipa, até então, jugoslava atravessava. O Estrela Vermelha era campeão europeu de clubes e conseguia realizar bons encaixes financeiros com a venda de alguns dos seus melhores atletas, logo à cabeça virá Dejan Savićević que ingressava no AC Milan pela quantia de 7,5 milhões de euros. Mas devido à guerra e ás consequências que da guerra advêm, tais como a inflação e a pobreza, muito deste dinheiro acabou por se tornar na realidade um problema.

O apogeu do futebol sérvio representado numa só imagem  Fonte: Youtube
O apogeu do futebol sérvio representado numa só imagem Fonte: Youtube

A Guerra Civil Jugoslava era uma realidade e quando nós não desejamos que o futebol e a politica se misturem estes acabam sempre por ter alguma relação. O Estrela Vermelha foi uma vitima dessa relação, as equipas sérvias seriam banidas das competições europeias e uma geração era impedida de jogar pelo seu clube de origem nas competições europeias e muitos jogadores abandonariam o clube em busca de uma carreira melhor longe da guerra, Darko Kovacevic, que passou pelo futebol inglês, espanhol e italiano, é disso exemplo. O Estrela Vermelha perdia uma das suas principais fontes de rendimento e de competitividade, o futebol perdia uma das equipas em maior ascensão no futebol europeu e tão cedo não voltaríamos a vê-la.

Cerca de 15 anos se passaram desde o final da guerra civil e hoje o Estrela Vermelha domina, a par do seu grande rival Partizan, as competições sérvias. O futebol sérvio passou e continua ainda a sofrer constantes reformulações e adaptações ao modelo atual europeu, depois de um período de claro ascendente, entre 2007/2008 e 2012/2013, do Partizan sobre o Estrela Vermelha, contando mesmo com algumas participações na Liga dos Campeões, o gigante vermelho e branco dos Balcãs conseguiu restabelecer-se internamente e quebraria com a hegemonia do seu rival em 2013/2014. A nível europeu o mais perto que o Estrela Vermelha esteve de conseguir, finalmente, passar uma fase de grupos de uma competição europeia, o que não acontecia desde 1992, foi na edição da Taça Uefa de 2005/2006. A equipa sérvia precisava de ganhar o seu último jogo, ao Strasbourg, para passar o grupo, e as coisas estavam bem encaminhadas, com uma vitória por 2-0 até aos 78 minutos. Mas eis que aparece um, então jovem, avançado francês, Kevin Gameiro, que marcaria dois golos nos últimos dez minutos e selaria a eliminação do Estrela Vermelha.

As competições europeias nunca fugiram da mira dos adeptos, faz parte da génese de um clube grande, mas as aspirações do clube sérvio sofreriam um revés ao ser excluído das competições europeias em 2014 pelo incumprimento do fair-play financeiro. O Estrela Vermelha ainda tinha que fazer o seu caminho devagarinho para se recuperar financeiramente.

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