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O RESCALDO

O Maracanã voltou a ser o palco da final de um Campeonato do Mundo, depois do Maracanazo de 1950. Desta vez, encontravam-se no mítico estádio do Rio de Janeiro uma Alemanha quase unanimemente considerada a equipa mais forte da prova, fruto do épico triunfo sobre o anfitrião Brasil por 7-1, e uma Argentina surpreendentemente sólida, incondicionalmente aguerrida e inevitavelmente dependente do génio de Messi para chegar ao título. Desta vez, ou teríamos a consagração de uma fantástica geração alemã (semi-finalista em 2006 e 2010, finalista do Euro 2008) ou teríamos a glorificação do astro Messi. Acabámos por ver pela primeira vez uma selecção europeia a erguer a Copa nas Américas.

Um dia, um senhor disse que “o futebol é um jogo simples: 22 homens perseguem a bola por 90 minutos e no fim ganham os alemães”. Esse senhor é Gary Lineker, que marcou 10 golos nos Mundiais de 1986 (ganho pela Argentina) e de 1990 (ganho pela Alemanha). Hoje foi exactamente isso que aconteceu: foi preciso ir a prolongamento para descobrir o vencedor de um encontro que, embora nem sempre bem jogado, nunca deixou de ser muito equilibrado, muito disputado e muito intenso. No final, sorriu a Mannschaft.

Houve de tudo neste jogo. Houve lesões antes do apito inicial (Khedira obrigou Löw a apostar em Kramer de início). Houve lesões na primeira parte (Kramer, visivelmente afectado por uma perigosa pancada na cabeça, foi substituido). Houve um golo bem anulado a Higuaín por fora-de-jogo. Houve um golo escandalosamente falhado pelo mesmo Higuaín em posição regular. Houve uma bola enviada ao poste por Höwedes. Houve boas oportunidades para Messi, Palacios e Kroos. Houve poucas mas boas defesas de Neuer e Romero. Houve um super-Mascherano num meio-campo e um super-Schweinsteiger no outro. Houve dois extraordinários quartetos defensivos. Houve dois ataques pouco inspirados e com pouco espaço. Houve muita luta, muita entrega e muito crer. Houve prolongamento. No fim, houve um golo saído do banco germânico que decidiu tudo – Schürrle atraiu dois defesas, cruzou para Götze, e o herói da partida, entre os centrais adversários, dominou de peito e fuzilou Romero sem deixar a bola cair no chão.

Götze entrou para marcar o golo da vitória dos europeus  Fonte: Getty Images
Götze entrou para marcar o golo da vitória dos europeus
Fonte: Getty Images

A Argentina fez uma bonita campanha. Muito longe da máquina ofensiva que todos esperavam que fosse, acabou por ir construindo o seu caminho, pé ante pé, assente no criticado 4-2-4 conservador de Sabella, que nunca abdicou de dois trincos. Messi decidiu na fase de grupos (marcou 4 golos), auxiliado por um endiabrado Di María; no ‘mata-mata’, com um Mascherano em grande estilo, um Garay imperial, um Rojo em grande forma e um Zabaleta intransponível, os argentinos foram compactos e eficientes o suficiente para ultrapassar todos os obstáculos. Até Romero, o guarda-redes de que todos desconfiavam, segurou o barco e assegurou um lugar na final. Hoje usaram a mesma fórmula – com as linhas baixas, raramente se desorganizaram defensivamente e tiveram na profundidade ofensiva a sua maior arma para chegar ao golo -, mas o desacerto na dianteira acabou por impedir a albiceleste de chegar ao terceiro título – Messi, Palacio e Higuaín desperdiçaram demasiadas oportunidades.

A Alemanha foi simplesmente a melhor equipa deste Mundial e conquistou novamente o ceptro com todo o mérito e com toda a justiça. Neuer voltou a provar que é o melhor guarda-redes do mundo; Hummels mostrou novamente que é um central de topo; o capitão Lahm exibiu a classe, a polivalência e a capacidade de liderança que lhe são reconhecidas; Kroos, Khedira e Schweinsteiger constituíram um trio de meio-campo fortíssimo em todos os aspectos; Klose tornou-se o melhor marcador de sempre da história dos Mundiais; Müller deu um passo de gigante para bater esse recorde ao assinar mais 5 golos (aos 24 anos, já leva 10 tentos em 2 edições); Schürrle e Götze revelaram-se suplentes de luxo; Özil, Höwedes, Boateng e Mertesacker cumpriram os seus papéis na perfeição. Mas mesmo com um grupo repleto de jogadores de grande talento e de grande experiência, a estrela da equipa foi sempre… a equipa. Hoje não foram tão exuberantes como quando golearam Portugal (4-0) ou o Brasil (7-1), mas foram tão resilientes como quando eliminaram a Argélia (2-1) e a França (0-1). Os pupilos de Löw mereceram chegar ao Olimpo do desporto-rei pela quarta vez.

Longe do seu melhor, Messi foi considerado o jogador do torneio  Fonte: Getty Images
Longe do seu melhor, Messi foi considerado o jogador do torneio
Fonte: Getty Images

A Figura

Götze foi eleito pela FIFA como o melhor jogador em campo por ter marcado o golo decisivo, mas eu prefiro destacar os dois maiores dínamos dos dois conjuntos nesta noite: Mascherano de um lado e Schweinsteiger do outro. Ambos foram fundamentais a segurar os respectivos meios-campos, ambos estiveram tacticamente irrepreensíveis, ambos deixaram tudo em campo e correram quilómetros atrás do sonho de levar as respectivas nações à glória. Protagonizaram duas extraordinárias exibições – os patrões.

O Fora-de-Jogo

Messi. Não teve uma performance negativa – arracou bons passes, teve slaloms de categoria e até teve mais do que uma ocasião para marcar -, mas não correspondeu às elevadíssimas expectativas que se geraram em relação a ele. A sua missão era resolver e esteve longe de conseguir fazê-lo. Como prémio, foi considerado o melhor jogador do Mundial’2014. Ridículo! Será que os senhores que lhe atribuíram a distinção viram os jogos de Robben, Müller ou James?

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