Encerrou este Domingo a edição de 2018 do Gibraltar Open, disputado entre 7 e 11 de Março, no Tercentenary Hall.

Num torneio marcado por muitas ausências de relevo, apenas estiveram em prova nove elementos do Top-20 mundial, sendo que Barry Hawkins e Shaun Murphy, vencedor da edição do ano anterior, foram os únicos representantes do top-10.

Se, por um lado, fica claro que a ausência de nomes como Mark Selby, Ronnie O’Sullivan, Judd Trum, Ding Junhui ou John Higgins reduz de forma significativa as expectativas colocadas neste torneio, por outro, estas ausências abrem a porta a outros jogadores menos cotados, que assim ganham maiores possibilidades de brilhar.

Este facto foi visível logo na composição inicial do torneio, onde apareceram muitos jovens desconhecidos da maioria dos espectadores, que assim tiveram uma possibilidade de crescer e mostrar o seu valor num torneio pontuável para o ranking. Também alguns jogadores mais experientes, que nunca se conseguiram impor na elite do snooker mundial, tiveram aqui uma nova possibilidade de brilhar.

Nesta vertente, os que melhor aproveitaram esta possibilidade foram Andy Hicks, Jamie Clarke, Michael Wild, Brandon Sargeant e Jamie Cope, tendo todos eles conseguido alcançar a sexta ronda do torneio. Jamie Cope, para além de ter chegado longe, brilhou especialmente na quarta ronda, quando provocou uma das grandes surpresas do torneio ao eliminar o campeão em título, Shaun Murphy, por uns expressivos 4-0.

À entrada para os Quartos-de-Final, a prova já não contava com nenhum membro do Top-10 mundial, depois da já referida eliminação de Murphy na quarta ronda e da, ainda mais precoce, eliminação de Barry Hawkins logo na segunda ronda do torneio, onde saiu derrotado por 4-1 no duelo com Sam Craigie (81º do ranking).

Se o Top-10 desde cedo se viu arredado da competição, o Top-20 não se encontrava numa posição muito mais favorável. Chegados a esta fase da prova, apenas Ryan Day, Kyren Wilson e Stuart Bingham ainda resistiam.

Kyren Wilson e Stuart Bingham chegaram a esta fase, mas não guardaram recordações muito agradáveis da mesma. Ambos foram eliminados, sem conseguirem vencer um único frame. Wilson foi batido por Lee Walker (73º do ranking) e Bingham caiu aos pés de Cao Yupeng (50º), ambos por 4-0.

Ryan Day, que até tinha o encontro teoricamente mais complicado, conseguiu bater Joe Perry por 4-1 e seguir para as Meias-de-Final, assim como Scott Donaldson, que venceu Zhang Yong por 4-2.

Nas Meias-de-Final, Cao Yupeng bateu Lee Walker por 4-2, enquanto Ryan Day conseguiu atingir a final depois de um duelo muito equilibrado frente a Scott Donaldson, onde o galês apenas conseguiu obter a vitória na negra (4-3).

Chegávamos assim a uma final que colocava frente a frente Ryan Day e Cao Yupeng, dois jogadores que atingiam assim a sua segunda final esta época.

A final do torneio foi disputada por Ryan Day e Cao Yupeng
Fonte: World Snooker

Nas outras finais disputadas por estes jogadores, Ryan Day conseguiu conquistar o Masters de Riga, enquanto Cao Yupeng, depois de ter estado quase com o troféu na mão no Scottish Open, quando vencia por 8-4, acabou por permitir que Neil Robertson desse a volta ao encontro, saindo derrotado por 8-9.

Neste Gibraltar Open, registou-se uma final de sentido único, com Ryan Day a dominar por completo e a vencer o encontro por 4-0. Cao Yupeng vê assim, aos 27 anos, voltar a ficar adiada a possibilidade de vencer o primeiro troféu pontuável para o ranking.

Por sua vez, o galês consegue, aos 37 anos, o segundo troféu pontuável para ranking da carreira, ambos conquistados esta época.

Esta vitória, para além do que representa por si só, pode revelar-se muito importante para Ryan Day, por significar uma subida no ranking (de 18º para 17º), ficando muito próximo do Top-16, que garante a entrada directa no mundial, sem necessidade de recurso a jogos de qualificações. Este 17º lugar até pode ser suficiente para essa entrada directa caso Marco Fu (actual 10º) não recupere a tempo da prova (o jogador de Hong Kong recupera de uma cirurgia a um olho).

Ficou assim concluída mais uma edição do Gibraltar Open que poderá vir a merecer especial atenção por parte da World Snooker por mais uma vez, à semelhança do que aconteceu no ano anterior, ter registado um baixo nível de interesse, tanto por parte dos jogadores mais cotados do circuito como por parte do público, verificando-se sempre um número reduzido de espectadores no recinto ao longo de toda a prova.

Segue-se o Masters da Roménia, uma prova por convite, que não é pontuável para o ranking, que decorrerá entre Quarta-Feira (dia 14) e Domingo (dia 18) no Circo Metropolitano de Bucareste.

Foto de Capa: World Snooker

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