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No artigo desta semana, um pouco ao género “olheiro”, falo sobre um jovem que já há largos meses me despoletou a atenção e, desde então tenho vindo a acompanhar com alguma regularidade.

Para quem presta alguma atenção ao que se vai passando no circuito de Juniores e torneios ATP Challenger (a “segunda categoria” do circuito ATP), certamente que o nome de Stefanos Tsitsipas (atual 78º do ranking ATP) não é estranho. O jovem grego, nascido em Agosto de 1998 (tem, neste momento 19 anos) cresceu de raquete na mão e é treinado pelo pai, Apostolos, em Atenas, cidade de onde é natural.

Stefanos começou a destacar-se perto dos 15 anos quando, no circuito ITF Junior (sub-18), começou a chegar frequentemente às rondas mais adiantadas de provas “Grade 1” e “Grade 2” (o equivalente aos torneios ATP1000 e 500). Esse foi o início da carreira do grego que aos 17 anos já contava com a liderança do ranking mundial de Juniores – apesar de nunca ter vencido as mais prestigiadas competições neste escalão etário (majors, Orange Bowl, Eddie Herr ..).

Daí ao escalão mais profissional é um pulinho em termos de idade, mas a verdade é que é nessa fase que a maioria das “jovens promessas” desaparecem do mapa do ténis mundial. E Stefanos conseguiu, pelo menos até agora, fazer essa transição de forma bem-sucedida. No circuito ATP, deu-se a mostrar no último trimestre da temporada transata, mais particularmente no torneio de Antuérpia, onde derrotou Ivo Karlovic, Pablo Cuevas, Jeremy Chardy e um David Goffin motivado para tentar alcançar o ATP World Tour Finals.

Stefanos Tsitsipas é uma jovem promessa do ténis mundial Fonte: Facebook Oficial Stefanos Tsitsipas
Stefanos Tsitsipas é uma jovem promessa do ténis mundial
Fonte: Facebook Oficial Stefanos Tsitsipas

O ténis do grego não é um ténis de deixar os adeptos da modalidade boquiabertos. Não é esse tipo de jogador. Nesta fase da carreira Tsitsipas ainda é algo repreensível em alguns pormenores mais técnicos, mas o que mais salta à vista neste jogador é a sua maturidade e estabilidade emocional. Muito racional nas suas decisões e calmo nos momentos mais tensos, Stefanos Tsitsipas mistura um pouco do melhor de dois mundos: é extremamente competente no capítulo defensivo, sentindo-se pouco incomodado com longas trocas de bolas (uma faceta mais “Nadaliana”) e ao mesmo tempo mostra-se bastante confortável junto à rede, muitas vezes suportadas por serviços fortes e bem colocados, complementando o pack de pancadas bonitas do grego que inclui (claro está) uma esquerda batida a uma mão, muito mais ao género de Roger Federer do que de Gasquet ou Shapovalov.

O grego beneficiaria, a nível de ataque aliado com jogo de rede, de conselhos de por exemplo Larry Stefanki, Paul Annacone ou mesmo algumas dicas do ex-tenista inglês Tim Henman, afim de atingir um ténis mais equilibrado, visto que se mostra por vezes demasiadamente defensivo e inofensivo para os adversários. Porém, não nos podemos esquecer que se trata de um “menino” de 19 anos que já derrotou alguns nomes maiores do circuito profissional, e que com o trabalho e ajuda certos, poderá vir a ser um dos nomes mais falados do circuito ATP daqui a meia dúzia de anos.

Foto de Capa: Facebook Oficial Stefanos Tsitsipas

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