sl benfica cabeçalho 1Quando se analisa qualquer jogador é necessário atender a todas as suas características, seja a nível ofensivo ou em tarefas defensivas. Os extremos não são exceção e é precisamente esse o aspecto que pretendo abordar – a importância de um extremo completo.

Conhecer o nome de um extremo por ser um autêntico malabarista com a bola nos pés não é de estranhar. Pouco comum é ser conhecido por, além de ser tecnicamente evoluído como a posição naturalmente exige, ser também um jogador que sabe defender.

Nesta vertente é crucial identificar um jogador que sabe defender como aquele que conhece o jogo, sabe posicionar-se corretamente no campo – obedecendo às regras de uma boa defesa – tanto quando a equipa defende mais recuada como quando, por questões estratégicas, sobe no terreno de forma a pressionar as primeira linhas de construção da equipa contrária, que é a defesa e o guarda redes.

Conhecendo as características comuns a todos os bons defensores, foco-me então nos extremos. E que importante é a tarefa deles a nível defensivo. Como uma vez disse um génio holandês, conhecido por Johan Cruyff, ”o primeiro defesa é o avançado”.

Embora se pense que o extremo é para atacar e desequilibrar na frente de ataque, o extremo tem uma missão que aos olhos da população em geral é invisível – a de defender. O extremo, junto do avançado, ou dos avançados, dependendo da tática que a equipa utiliza, é o jogador que defende uma das zonas de onde pode surgir mais perigo, as laterais. O extremo é o responsável por impedir a subida dos laterais, de forma a evitar a superioridade numérica adversária com o lateral da sua equipa. É também aquele que “ajusta” a defesa da equipa nas alas, recuando diversas vezes até á extremidade da área.

Cervi é um dos jogadores que mais ajuda em missão defensiva  Fonte: SL Benfica
Cervi é um dos jogadores que mais ajuda em missão defensiva
Fonte: SL Benfica

No entanto, o extremo não se preocupa só com a lateral que lhe é conferida pelo treinador ao inicio da partida. Quando a bola está no lado oposto ao seu, o extremo é o responsável por compensar a zona central do campo, uma vez que os seus colegas estão a defender a zona onde a bola se encontra. Caso o jogador não esteja nessa zona, possibilita que a equipa adversária mobilize o jogo para uma das laterais e num lance de mudança de flanco coloque a bola numa zona onde não está ninguém e em que estará certamente um jogador adversário pronto a ganhar metros no campo e a aproximar-se com perigo da baliza contrária.

Uma vez lidos os parágrafos anteriores a ideia que fica é de que tentei dar uma explicação de como acredito que se deve defender, mas não. É através destas ideias que pretendo destacar a importância que Salvio e Franco Cervi assumem na equipa de Rui Vitória. Certamente cometem erros e não são os melhores extremos do mundo a defender, mas são taticamente inteligentes neste aspecto. Salvio é mais forte quando é necessário pressionar mais alto, é um jogador que ocupa bem o espaço e reduz as hipóteses de passe ao adversário, já o argentino Cervi é um jogador em que além de ser visível a raça com que se entrega ao jogo, se nota a sua preocupação em recuar no terreno de forma a ajudar a sua equipa em missão defensiva.

Não é por acaso que o técnico encarnado os coloca em campo com frequência e mais vezes do que aquelas que os adeptos por vezes acham justas. Alguma coisa estes jogadores acrescentam à equipa, e essa capacidade de defender bem é uma delas.

Foto de Capa: SL Benfica

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