Com a iminente saída de Jonas restam Ferreyra e Castillo para o lugar de avançado no SL Benfica. Serão os dois reforços garante de qualidade face à saída do jogador mais preponderante em Portugal nos últimos quatro anos?

A resposta é não. Pelo menos pelo que mostraram até agora, Ferreyra e Castillo terão dificuldades abissais em fazer esquecer o Pistolas. O caso de Castillo é gritante. Já se sabe que análises de pré-época, por vezes, recorrem ao exagero mas o chileno parece ser muito mau. É possante, alto, e até se pode dizer que ataca bem a bola na área mas em tudo o resto é medíocre. Quando a bola contacta com o pé o mais provável é sair dele e correr dois metros. É impressionante a falta de qualidade técnica a que se alia uma total ausência de noção tática.

Castillo opta habitualmente por duas soluções: ou fica plantado na área ou corre a solicitar a profundidade. Não é capaz de baixar, de pedir uma tabela, de se mover para terrenos interiores e tentar jogar. As palavras do antigo chefe de Scout do Benfica José Boto, que não reservou uma única palavra para Castillo quando questionado sobre os jogadores que este ano podiam dar nas vistas em Portugal, também não auguram nada de bom. O chileno, para já, não parece ser solução para fazer esquecer Jonas.

Depois há Ferreyra. Atendendo ao currículo, ao que se escreveu, ao quanto, aparentemente, custou ao Benfica, tudo faria antever um craque com todas as letras, mas o que se viu até agora está distante desse epíteto. Ferreyra demonstra timidez e falta de personalidade. Frente ao Lyon, deve ter tocado na bola uma ou duas vezes.

Ferreyra tem demonstrado alguma timidez no seu arranque em Portugal
Fonte: SL Benfica

Tal qual Castillo, não faz movimentos de aproximação e limita-se a esperar por cruzamentos ou solicitar a profundidade. É preciso mais para se perceber o verdadeiro valor do argentino mas até agora pouco há de positivo.

que, se formos ao detalhe, ambos demonstram exatamente a mesma inércia no que às movimentações diz respeito. E quanto isso há apenas uma coisa a inferir: é o treinador que lhes pede para ficarem na área. É o treinador que lhes pede para ficarem distantes do processo ofensivo da equipa. Isso traduz-se, por miúdos, em menos um jogador. Traduz-se em haver um jogador que quando não marca no decorrer do jogo torna-se inútil. No futebol de hoje em dia isso já não é possível. Todos têm de defender, todos têm de atacar. Não há espaço para os que só cruzam, os que só passam, os que só fintam e os que só marcam.

E com Rui Vitória ao leme da equipa, Jonas vai fazer ainda mais falta. Jonas, fruto do seu estatuto, está-se nas tintas para o que Rui Vitória lhe pede. Jonas, genial como só ele, faz o que considera o melhor para a equipa e se isso significar aproximar-se ao meio-campo, tabelar e progredir, que assim seja. Porque é isso que leva uma equipa a jogar melhor e, consequentemente, ganhar.

Foto de Capa: SL Benfica

Comentários

Artigo anteriorVidal no FC Barcelona: “A eso vengo, a ganar todo”
Próximo artigoQuem será o dono da baliza dos leões?
Mal sabia andar e já ia ao estádio ver os jogos do Gil Vicente, clube da terra natal. A paixão pelo relvado, pelos golos e pelas fintas, agarrou-se como uma doença e não mais saiu. Depois aprendeu a ler e a escrever e como não tirava más notas nas composições, aventurou-se na criação de blogues de bola. Mais tarde, na inconsciência dos seus dezoito, frequentou Ciências da Comunicação. Mantém vivo o sonho de ser jornalista desportivo, de derrubar chavões e fazer parte de uma nova era que pensa o futebol como um jogo para os criativos e inteligentes.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.