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Dois penaltys. Uma expulsão. Três golos. Tudo em 17 minutos de jogo. O Benfica avançou sem contemplações perante uma das mais cotadas formações do mundo do futebol e conseguiu um apuramento histórico para a primeira final da UEFA Youth League.

Aconteça o que acontecer, o Benfica já tem o seu nome registado nesta primeira Liga dos Campeões na categoria de sub-19. Depois de eliminar equipas como o PSG, Áustria de Viena ou Manchester City, a equipa (muito bem) comandada por João Tralhão confirmou que tudo aquilo que tem acontecido não é por acaso. Esta equipa de jovens jogadores do Benfica tem mesmo muito talento. A segurança e agilidade do guarda-redes Thierry Graça, o tremendo sentido posicional e tático do defesa-central João Nunes, os movimentos de fino recorte técnico de Rochicha (ah!, aquele penalty à Panenka…) e Guzzo, as movimentações rápidas e de desequilíbrios constantes de Guedes e Nuno Santos, a frieza e rapidez de Hildeberto Pereira… Enfim, poderia estar aqui a descrever ainda mais individualidades deste super-competitivo plantel do Sport Lisboa e Benfica. Não o vou fazer. Até porque muita coisa pode vir a mudar no futuro. Muitos deles, de facto, nunca deverão chegar a ser jogadores do plantel principal. Uns por falta de qualidade, outros, claro, porque serão tapados por jogadores externos ao clube.

A questão aqui é tão-somente uma: em Portugal há imenso talento. É pena que o Benfica não aposte tão regularmente nos seus jovens, mas esta acaba por ser uma opção que não pode ser criticada. É completamente diferente jogar neste nível e a um nível mais sério e profissional, como jogam os profissionais da equipa A de Jorge Jesus.

Ainda assim, e voltando à questão principal deste texto, que é o jogo propriamente dito, devo confessar que esperava muito mais de uma equipa do Real Madrid. Erros absolutamente inacreditáveis e infantis contribuíram para que o desfecho do encontro fosse este. Foram assinalados 3 (!) penaltys a favor do Benfica (todos eles bem marcados, diga-se) e os comandados de João Tralhão apenas necessitaram de jogar no (constante) erro do adversário. Os jogadores encarnados não só demonstraram superioridade no capítulo técnico e tático, como também a nível de maturidade. Os 3 golos no início do encontro permitiram gerir a vantagem, dando até muitas vezes o jogo ao Real Madrid para ter o controlo do jogo sem bola. Foi sem surpresas que o resultado ainda se dilatou mais, para os 4 golos sem resposta.

À semelhança do que costuma acontecer na equipa principal, a que hoje jogou deu também a ideia de que se os jogadores acelerassem um pouco mais a velocidade das suas transições, o resultado poderia ter sido ainda mais avolumado.

Como adepto de bom futebol, até gostaria que isso tivesse acontecido. Mas entendeu-se a contenção dos jogadores do Benfica. Segunda-Feira disputa-se a grande final e convém ter a equipa toda na máxima força. E esse pode ser um dia histórico.

Seria fantástico para Portugal ter uma equipa portuguesa como primeira vencedora desta competição. Um motivo de orgulho que não deve surpreender ninguém. Em Portugal, temos as melhores camadas jovens do mundo. E atenção: para o ano temos também o Sporting na competição. Promete!

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