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É recorrente falar-se do fosso que existe entre os players da Primeira Divisão. Ele existe e é um aspeto negativo, é certo, não há que o esconder. Mas também não deve ser usado como escudo ou desculpa para quando as coisas não correm assim tão bem e isso não acontece. Os ditos clubes “pequenos” refugiam-se exageradamente neste abrigo que é a luta desigual e sacodem, assim, as responsabilidades dos resultados avolumados.

Muitas vezes questionados pelas opções táticas ou pela utilização de um jogador por outro, os treinadores realçam abusivamente o facto de jogarem “fora”, contra “um candidato ao título muito forte, perante o seu público” e que isso deita por terra quase todas as estratégias delineadas. Tudo isso são verdades inquestionáveis, é certo, mas não são mais que isso e, portanto, devem ser tidas em conta logo na preparação do jogo e não destacadas no final do mesmo como se de uma novidade se tratasse.

Os três “grandes” são sempre retratados como as forças negativas do nosso campeonato e os restantes clubes como os únicos elementos que dignificam o nosso futebol e isso não podia ser mais injusto e incorreto. Quem o afirma e defende deve, porventura, esquecer-se do importantíssimo papel que os três maiores clubes portugueses desempenham na divulgação do nosso futebol quando participam nas competições europeias. Até aí, os “grandes” tem influência. Não fossem os pontos angariados consecutivamente por estes clubes e mais nenhum clube português teria a oportunidade de participar numa prova europeia (caso não alcançasse uma das duas ou três primeiras posições). Nessa altura, ninguém critica o poderio destes clubes nem reconhece que os 6 lugares europeus (agora reduzidos para 4 devido ao fraco rendimento europeu) se devem ao seu trabalho de anos. As recentes participações europeias de CF “Os Belenenses”, FC Arouca ou GD Estoril Praia devem-se, em grande parte, às brilhantes épocas e classificações obtidas pelos seus plantéis, mas deve ter-se em conta que tal não seria possível se os lugares com acesso a provas europeias fossem apenas 2 e não 4 ou 6, como habitual.

O Vitória SC atingiu o máximo europeu em 2008/09, sendo eliminado pelo FC Basel na 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League Fonte: futeboldeataque.blogspot.pt
O Vitória SC atingiu o máximo europeu em 2008/09, chegando à 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League
Fonte: futeboldeataque.blogspot.pt

Mas nem sempre os “grandes” ocupam esses lugares de acesso direto, e é a esse aspeto que os restantes clubes se devem agarrar. Os “grandes” obtiveram esse estatuto devido às sucessivas conquistas e apoios financeiros ao longo dos seus anos de história, mas é isso suficiente para que os outros clubes baixem os braços? Devem esses clubes desistir de roubar pontos aos “grandes”? A resposta é tão óbvia que nem merecia sequer ser questionada. Exemplo disso foi a época do Vitória SC na época 2007/08. Terminou o campeonato no terceiro lugar (53 pontos), a dois e vinte e dois pontos do Sporting CP (2º) e FC Porto (1º), respetivamente, e com mais um que o SL Benfica (4º). A fantástica temporada dos conquistadores levou-os ao ponto mais longínquo que atingiram na Europa; a 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League. Ficaram a dois passos da fase de grupos (2-1 nas duas mãos, favorável para o FC Basel). Todo o mérito deve ser (e foi) endereçado à equipa da cidade berço e com toda a justiça discutiram a passagem à fase de grupos da prova mais importante da UEFA.

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