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Cabeçalho Futebol NacionalCaro Sr Presidente Fernando Gomes,

Soube hoje durante o nosso jantar cá de casa que terá recebido um email do meu filho mais novo. A minha filhota não aguentou e acabou por me contar.

Sinceramente nem sei o que dizer, mas de qualquer forma peço-lhe desculpas pelo abuso. As crianças são de facto impulsivas e uma caixinha de surpresas, e no caso do meu João, essa é uma descrição que lhe assenta bem.

A verdade é que mal soube comecei a ralhar com ele, mas quando me perguntou com a ingenuidade própria dos seus seis anos se o senhor teria lido o que ele lhe enviou, não fui capaz de lhe dizer que provavelmente não, mas antes um “óbvio que terá lido João”.

Escrevo-lhe assim este email para lhe pedir desculpas, mas também para tentar justificar a audácia do meu filhote. Não que tenha muitas certezas que tenha lido o email que ele acabou por me mostrar a muito custo, mas, se porventura o tiver feito, aqui ficam as minhas palavras para si e também como resposta para o meu querido filho.

Filho, o pai não deixou de gostar de Futebol, até porque isso seria impossível. Nem tão pouco deixei de me alegrar, sofrer e entristecer com esse que é de longe o “maior espetáculo do Mundo”. Quando vou no carro sem a mamã e sem vocês sabes que eu ainda sintonizo as rádios que costumam passar notícias e debates sobre Futebol? É mais forte que eu! Tento evitar, mas acabo sempre por me fartar rapidamente da música que costuma passar (e que é dia sim dia também quase sempre a mesma) e pumba: ali estou eu a tentar ouvir falar daquilo que me enche muitas vezes a alma, o espírito e me consome como poucas coisas.

O futebol leva diariamente milhares a reunirem-se em volta do “maior espetáculo do mundo” Fonte: imortaisdofutebol.com
O futebol leva diariamente milhares a reunirem-se em volta do “maior espetáculo do mundo”
Fonte: imortaisdofutebol.com

Sei que isto ainda não te acontece, mas possivelmente daqui a uns tempos irás acordar e um dos teus primeiros pensamentos será: “Hoje é o grande jogo!”. À medida que o relógio “corre” para a hora marcada, começarás a ficar impaciente, com um nervosinho na barriga, querendo que o tempo passe para o culminar do início daquele jogo. E o tempo em vez de “correr” simplesmente faz uma caminhada lenta. E então para que o tempo “corra” irás inventar coisas que te ocupem o corpo e a mente, para que “a hora marcada” chegue mais rapidamente. O futebol influencia-nos desta forma e contra isso será muito complicado combateres. Pelo menos para o pai é.

Filho, os amantes de futebol, ou pelo menos comigo acontece desta forma, gostam de “partilhar”. Não ter com quem partilhar as dúvidas, os lances, as alegrias e as tristezas para mim não faria muito sentido. E sabes com quem gosto mais de partilhar todas estas emoções? Convosco, meu querido filho. Com a mãe, com a mana, e contigo em especial. Porque tu és o meu parceiro na futebolada. És o único cá de casa que já percebe bastantes coisas de futebol. A mãe e a mana são uns amores, mas aqui que ninguém nos ouve, elas não percebem nada de bola filho. Mesmo quando parecem querer perceber e fazem perguntas, eu acho que é só para nos verem felizes e para nós pensarmos que elas estão interessadas. Mas na realidade elas não percebem patavina.

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