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Se há dois anos lhe disséssemos que Moussa Marega iria ser uma peça fulcral do FC Porto duas temporadas depois, marcando, até ao fim da primeira volta, 15 golos e assumindo-se como titular indiscutível na equipa azul e branca, com quase toda a certeza não acreditaria. Diria quase certamente “Marega nunca vai ser jogador para o FC Porto” ou “Marega não tem técnica para jogar aqui”, ou até mesmo “Vocês não percebem nada de futebol, o Marega nunca mais volta a jogar pelo FC Porto”. Não o condenaríamos por isso. Aliás, por alguma razão não nos atrevemos a dizer que Marega viria um dia a fazer o que está a fazer hoje em dia de dragão ao peito, mas a verdade é que o maliano tem ao longo desta temporada calado tudo e todos aqueles que o criticavam e afirmavam convictamente que este não tinha qualidade para jogar numa equipa como o FC Porto.

Depois de uma boa época no Vitória SC, Moussa Marega regressou ao FC Porto para tentar afirmar-se no plantel de Sérgio Conceição e conseguir continuar o bom trabalho que havia realizado em Guimarães, após uma época desastrosa no Estádio do Dragão. As dúvidas eram muitas em relação ao avançado, mas desde cedo se percebeu que este poderia estar diferente, com outras qualidades ou, pelo menos, com as que tinha, um pouco mais evidentes e trabalhadas. O seu primeiro jogo da época, frente ao GD Estoril Praia, no qual marcou dois golos, mostrou logo quais seriam as principais armas do ex-Vitória SC ao longo da temporada, as armas com as quais lutaria por um lugar no plantel azul e branco e na equipa inicial: a força e a velocidade.

O maliano leva já 14 golos no campeonato e é, assim, o terceiro melhor marcador da Liga  Portuguesa Fonte: FC Porto
O maliano leva já 14 golos no campeonato e é, assim, o terceiro melhor marcador da Liga Portuguesa
Fonte: FC Porto

Os jogos foram sendo jogados e cada vez se acreditava mais – Marega estava outro jogador. Mais aguerrido, mais inteligente na forma de abordar os lances e de aproveitar as suas capacidades em cada lance. Mas noutro aspeto, o africano continuava e continua sem grande evolução. Falamos da sua técnica com bola. Marega continua um pouco trapalhão e em muitos lances parece não ter noção do que quer fazer com a redonda nos pés, razão pela qual é um dos jogadores da Liga que mais vezes perde a posse de bola. No entanto, os adeptos percebem que a vontade do avançado é muita em fazer as coisas bem e que se peca no aspeto técnico compensa na velocidade e, principalmente, na força.

Mesmo sem a técnica de jogadores como Aboubakar, Corona ou Brahimi, Marega faz estremecer as pernas de qualquer jogador que se atreva a colocar à sua frente e cada vez que a bola chega aos seus pés no ataque a massa adepta entusiasma-se na esperança de este fazer uma arrancada implacável e desequilibrar a defesa adversária. Nem sempre isso acontece, mas a probabilidade é sempre muito elevada.

A técnica da força é, então, a principal qualidade deste renovado Moussa Marega, que agora é capaz de a colocar em prática mais e melhor do que nunca, e Sérgio Conceição tem percebido isso, mantendo o maliano a jogar com grande regularidade – tem já 25 jogos realizados, tendo sido suplente utlizado em três jogos e tendo sido substituído em apenas quatro. Para estas estatísticas tem contribuído também e muito a sua parceria com Aboubakar na frente de ataque, que muitos danos tem causado nas defesas contrárias ao longo da temporada.

Resta saber se Marega conseguirá manter este nível para o que resta da época… Para o bem do FC Porto e do futebol de ataque esperamos que sim e, se possível até, que melhore. Para o FC Porto ser campeão todos terão de contribuir, e a contribuição do maliano será fundamental rumo a esse objetivo. Com ele, este dragão é mais forte e tem mais técnica – a técnica da força.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Nascido no seio de uma família portista, o Nuno não podia deixar de seguir o legado e faz questão de ser um membro ativo na ação de apoiar o seu clube, sendo presença habitual no Estádio do Dragão, inserido na claque Super Dragões. Para ele, o futebol é quase uma terapia, visto que quando está a assistir a algum jogo se esquece de todos as preocupações. Foi futebolista federado, mas acabou por entender que o seu papel era fora das quatro linhas, e também para seguir os estudos em Novas Tecnologias da Comunicação.                                                                                                                                                 O Nuno escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.