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Luis Óscar González era um jogador sem grande velocidade, sem uma capacidade de drible acima da média, sem poder físico para se destacar nesse campo dos demais e que não tinha um forte jogo aéreo. Em suma, foi o melhor oito que o FC Porto alguma vez teve!

Lucho foi um daqueles casos onde se encaixa na plenitude a expressão “chegar, ver e vencer”, tal a facilidade com que assumiu o comando de uma equipa onde havia falta de liderança dentro de campo. Falo da época 2005/2006, depois do falhanço que foi a anterior. Os Dragões procuravam devolver carácter à equipa e reconquistar o estatuto de campeão de Portugal entretanto perdido para o Benfica. O argentino desde cedo mostrou que todas as limitações já citadas se tornam irrelevantes quando se joga com inteligência. E “inteligência” seria a palavra que eu escolheria para o descrever se me fosse pedido que o fizesse usando apenas uma.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Com a camisola 8 na primeira passagem pelo clube e a 3 na segunda – um número bastante simbólico no clube -, Lucho deliciou os portistas com passes magistrais, intercepções bem medidas e remates de meia distância que lhe valiam sempre à volta da dezena de golos por temporada. A sua capacidade de liderança foi um factor determinante para o regresso a casa em Janeiro de 2012, uma vez que permitiu a Vítor Pereira controlar um balneário que parecia até então incontrolável.

Amado pelos adeptos e respeitado pelos colegas, foi o primeiro capitão estrangeiro do FC Porto e transportou a mística azul e branca como poucos. O profissionalismo do argentino nunca foi questionado por ninguém e existem dezenas de exemplos que o comprovam, sendo o exemplo máximo o dia em que decidiu ajudar a equipa jogando mesmo depois de receber a notícia do desaparecimento do pai.

Num futebol cada vez mais físico, menos inteligente, mais virado para o que se passa fora das quatro linhas, e onde o amor à camisola significa cada vez menos, Lucho Gozález foi um Oásis e mostrou que ainda há quem se guie por valores que em outros tempos eram a norma. Por mérito próprio conquistou um lugar na História do FC Porto e no coração de todos os portistas.

Foto de Capa: FC Porto 

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