A época de 2018/2019 está aí à porta e as movimentações de mercado no Reino do Dragão são, para já e no que à entrada de novos jogadores diz respeito, escassas e pouco relevantes. As notícias mais relevantes para os aficionados portistas passam pelas vendas de Ricardo Pereira e de uma das principais jóias da formação do clube, Diogo Dalot.

Embora encerrem em si dois infelizes atos de gestão, as vendas mencionadas podem e devem ser colocadas em patamares distintos de entendimento. Se a venda do lateral convocado por Fernando Santos para o Mundial 2018 se fez por um valor bastante abaixo da qualidade demonstrada pelo internacional português na temporada transata, parece evidente que no caso de Dalot a sua transferência apenas sucede devido à incapacidade de antecipação da SAD que adiou uma renovação que há muito era obrigatória e que acabou por perder o jogador devido à sua baixa cláusula de rescisão.

Quanto à falta de reforços considero-a, para já, uma falsa questão. O plantel do FC Porto (que acaba de conquistar a Supertaça Cândido de Oliveira) que terminou a temporada anterior era bastante capaz e importa, nesta altura, perceber quem fica e quem sai para depois se identificarem as carências da equipa. Julgo que, se nada de extraordinário se passar, a contratação de 2/3 jogadores será suficiente para a construção do tal plantel competitivo que o treinador mencionou na sua apresentação. Faltam (mais coisa menos coisa) quatro semanas para o fecho do mercado e poucos dias para o começo do campeonato. Urge acelerar alguns dossiers.

Assim, parece-me pertinente percorrer o plantel do FC Porto, por setores, procurando um equilíbrio entre qualidade e quantidade e a identificação clara das necessidades mais prementes que existem no seio da equipa.

No que toca à baliza parece claro que está fechada. Mal ou bem (dependendo de qual for o vencimento do jogador) o Porto segurou Iker Casillas e garante, desta forma, qualidade entre os postes ao longo da época (assim que o guarda-redes espanhol repita o rendimento do ano que passou). No banco continuará a constar o nome de Vaná e como terceiro elemento fica a duvida se se manterá Fabiano ou se será Diogo Costa a fazer a ponte entre equipa B e A. José Sá deverá sair.

Na defesa teremos forçosamente que a dividir entre laterais e o eixo central. Na lateral esquerda Alex Telles é dono e senhor mas falta-lhe concorrência e julgo ser prioritário encontrar uma solução competente mas barata no mercado. Já não há Dalot para apagar os fogos e Oleg (equipa B) não convenceu Sérgio Conceição. Na direita, Maxi (contra a minha vontade) permanece no clube e terá a sombra de João Pedro, contratado no Brasil este verão. Saidy já foi dispensado e Layún vendido. Posição parece fechada.

Embora existam algumas dúvidas, o plantel do FC Porto está perto de se encontrar fechado
Fonte: FC Porto

No centro da defesa já só sobra Felipe da época passada. Marcano e Reyes abandonaram o clube em final de contrato e rumaram a outras paragens e Osório foi emprestado ao Vitória SC. Entretanto deu-se a afirmação de Diogo Leite, o regresso de Chidozie e a compra de Mbemba. A estes deve ainda juntar-se Éder Militão (proveniente do São Paulo). Há um claro excedente de jogadores que deverá atirar o nigeriano que esteve emprestado aos franceses do Nantes para a porta de saída.

No meio-campo, Danilo está próximo da recuperação plena da sua lesão. No vértice mais recuado do meio campo salta, ainda, à vista, o nome de Rui Pires que poderá começar a ter algumas oportunidades na equipa principal e a quem se apregoa um futuro risonho. Para zonas mais adiantadas sobram Óliver, Bruno Costa, Sérgio Oliveira e o capitão Herrera. É fundamental manter e renovar com mexicano que termina contrato no final da temporada e encontrar mais espaço para o espanhol por quem nutro, confesso, uma especial admiração e a quem reconheço um talento sem igual no plantel do FC Porto. Mais um jogador para o miolo seria recebido de bom grado mas não deve ser encarado, neste momento, como prioritário. Mikel, Paulinho (infelizmente, na minha humilde opinião) e Ewerton não contam e deverão ter que procurar outras paragens.

No ataque residem, ainda, algumas dúvidas. Nas alas segurar Brahimi e Corona deverá ser uma prioridade, aos quais se deve voltar a juntar Hernâni. Otávio poderá, igualmente, passar por lá e ganhar protagonismo para o qual o seu talento vai apregoando, mas parece evidente que pelo menos mais um jogador poderá chegar ao clube.

Como homens-golo, Soares parece de pedra e cal e residem, ainda, algumas dúvidas em relação a Aboubakar. Considero, mesmo, que a SAD deve fazer um esforço suplementar para manter o camaronês no clube. Resta Marega que, no meu entender e pelos valores que têm vindo a público, deve ser entendido como uma excelente oportunidade de negócio e deve ser transferido. Foi o jogador mais importante da época passada, é certo, mas é um jogador com enormes deficiências técnicas e que, acredito, possibilitará (com a sua saída) conferir à equipa uma dose extra de perfume em relação à última época. A juntar a tudo isto, importa, também, salientar o episódio que teve lugar na última semana e que, embora não se saibam ao certo os seus contornos, colocou a nu alguma falta de profissionalismo do maliano. Existe, ainda, a possibilidade de Adrián se fixar no plantel e André Pereira parece ter caído no goto do treinador, sendo a sua permanência no plantel uma certeza quase absoluta. Poderá entrar mais um jogador mas atará sempre dependente da continuidade ou não de algum(s) jogadores acima mencionados.

Em suma, as soluções estão todas, ou quase todas, dentro de portas e as contratações dependerão mais dos jogadores que não se conseguir segurar e menos das carências atuais do plantel. Trabalho de sobra para a SAD e treinador.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Comentários

Artigo anteriorA Maldição de Guttman ou a Maldição do Futebol?
Próximo artigoSporting: Venham lá os jogos a sério
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.