O meu artigo desta semana exultará o facto de Sérgio Oliveira, médio formado nas escolas do FC Porto que, depois de um meritório percurso nas seleções jovens, ter chegado, aos 27 anos, finalmente, à principal seleção do nosso país.

Um dos mais jovens de sempre a estrear-se pela equipa principal do FC Porto (tinha 17 anos quando Jesualdo Ferreira o lançou num jogo da Taça da Liga) cedo recebeu o rótulo de craque e uma cláusula de rescisão estelar em tão tenra idade ajudou ao exacerbar dessa ideia e ao avolumar das expectativas.

Tremenda qualidade com a bola no pé, muita dificuldade em perceber o jogo no momento da perda da mesma. Depois da estreia Sérgio andou de empréstimo em empréstimo até se desvincular definitivamente do FC Porto. Parecia mais uma promessa adiada que tardava em perceber que o futebol tinha dois momentos e que, principalmente na sua posição, era fulcral ser competitivo em ambos. Uma temporada a bom nível no Paços de Ferreira levou o FC Porto a resgatar o jogador e a dar-lhe nova oportunidade no plantel principal. Após um período de altos e baixos, Sérgio voltou a receber guia de marcha e rumou, mais uma vez por empréstimo, ao Nantes de França, treinado por Sérgio Conceição.

Depois de seis meses nas mãos do atual treinador portista seria muito difícil adivinhar o que se viria a passar a seguir. Foram seis meses à imagem da restante carreira do jogador. Mais baixos do que altos, mais presenças no banco do que no terreno de jogo.

Sérgio Oliveira tem sido presença assídua no onze de Sérgio Conceição
Fonte: FC Porto

Quando Sérgio Conceição assume os destinos do FC Porto muitas dúvidas existiram em torno de Sérgio Oliveira. O periclitante rendimento numa equipa de qualidade inferior ao FC Porto não augurava nada de extraordinário. A verdade é que Sérgio ficou e apareceu transfigurado. Com uma intensidade de jogo (com e sem bola) nunca antes vista recebeu, inicialmente, o papel de arma secreta nos jogos de maior grau de exigência. Mais tarde, após a lesão de Danilo, assumiu o posto ao lado de Herrera e não mais o largou. Foram seis meses de enorme qualidade e que serviram de afirmação para um diamante que parecia impossível de lapidar. Pode discutir-se a justiça ou injustiça da opção, mas o facto de relegar para o banco de suplentes um jogador como Óliver Torres diz muito dos méritos do jogador.

No entanto, não deixa de ser curioso que é num período de menor fulgor exibicional (Sérgio começou, na minha opinião, muito mal a época) que chega, pela primeira vez, à Seleção Nacional, tendo mesmo sido opção de Fernando Santos no decorrer das duas partidas realizadas pela equipa das quinas.

Em jeito de conclusão assumo que sou um admirador das qualidades de Óliver e que vejo nele maior capacidade e qualidade para jogar numa equipa com os pergaminhos do FC Porto. Mais, como já aqui referi, o recente rendimento de Sérgio Oliveira vai concorrendo para que considere, até, vital uma oportunidade para o espanhol no onze inicial. No entanto, seria desonesto da minha parte se não reconhecesse a enorme importância e qualidade do médio português na temporada passada e é com vaidade que congratulo um jogador formado na cantera azul e branca pela tão desejada chegada à Seleção Nacional A. Resta perceber qual o seu papel após a recuperação plena de Danilo. Têm a palavra os dois Sérgios.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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