Querido Mister,

Ao longo deste tempo, não tive ainda a oportunidade de, em certa medida, abrir o meu coração. Pois acho que está chegada a hora para tal.

Obrigado mister. Obrigado por ter acreditado que este ‘velho’ de 36 anos ainda coloca umas bolas lá para dentro, e que tem ainda muito para dar a toda a equipa. Acredite que tenho sim.

Sim, eu já cá ando há uns anitos. Estou mesmo a ficar velhote. Já fui enterrado pelo menos umas quatro ou cinco vezes. Já fui desenterrado outras tantas. E depois ressuscitaram-me. Ainda assim não sinto que esteja nesta grande instituição para ressuscitar. Aliás, nunca achei que havia ‘morrido’ para o futebol. Aprendi ao longo dos anos a vencer os meus próprios receios, as minhas próprias dúvidas, e a acreditar que o meu valor é superior ao que a maioria julga. Aprendi que no mundo da bola, tal como em qualquer outro mundo, há momentos melhores e piores, mas apenas os que não se vergam conseguem ter sucesso.

Aceitei este desafio por ir representar este clube que admiro, mas em grande parte pelo treinador que comanda este grupo de rapazes. Já me tinham falado do quanto era prazeiroso privar consigo, mas confesso que não imaginava que o fosse tanto.

Tudo aquilo que à primeira vista o mister transmite, só tende a ser confirmado à medida que o vamos conhecendo. Assim torna-se fácil dar 110%. Consigo ao lado não apenas interiorizamos para nós as vitórias ou as derrotas: comungamo-las consigo. A tristeza ou a alegria que nos invade a nós mesmos, prolonga-se para sim mesmo, alcançando o seu olhar desiludido, triste, mas de cumplicidade com todo o grupo ou o seu sorriso sincero, alegre mas sempre despercebido.

Nuno Manta Santos confiou em Edinho e este tem pago com golos
Fonte: CD Feirense

Alguns chamaram-me louco quando falei que a selecção poderia ter beneficiado muito com a minha presença na Rússia e que ainda acalento o sonho do regresso à ‘camisola das quinas’. Pois fica aqui a promessa mister: com a sua ajuda irei provar que não estava a exagerar sobre a minha pessoa, e juntos iremos colocar um jogador do Feirense na selecção nacional. Até lá resta-me apontar mais uns golitos e batalhar semana após semana.

Termino porque não sou muito dado às palavras. Termino como comecei: aquele avançado que alguns teimam em apelidar de meio atabalhoado, mesmo não sendo um primor técnico, será um primor ao longo desta época em dedicação, entrega e camaradagem, e, se as lesões não apoquentarem, cá estaremos no final de uma época que será histórica para o CD Feirense, para darmos um abraço de mútuo sentimento de dever cumprido e de alegria real.

Um abraço,

Arnaldo Edi Lopes da Silva.

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

 

Foto de Capa: CD Feirense

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