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Caríssimos

Quase 30 anos depois de começar a carreira de treinador ao serviço do meu Amora (que saudades), eis que o meu país não foi suficientemente grande para me albergar enquanto treinador de Futebol. Sim, é verdade, 30 anos. O tempo passa mesmo a correr.

Quando olho para estes 30 anos e relembro o jovem treinador que era, os primeiros passos que dei, as expectativas e os sonhos de quem está no início, um rasgado sorriso é forçado a ficar presente na minha face. Um sorriso de três décadas. Um sorriso de memórias, algumas delas memoráveis.

Confesso que não esperava abandonar o meu país. Não agora. Mas muitas vezes a vida rasteira-nos. Por vezes, mesmo querendo muito algo, mesmo fazendo tudo para o conseguir, mesmo procurando que nada nos aflija, que nada nos demova, a nossa força, dedicação e bom senso não são suficientes. Por vezes existem factores que vão para além da nossa capacidade de os dominar ou de lhes dar o fim mais desejado. E quanto a isso, por agora, fico-me por aqui.

Jorge Jesus acabou “abandonado” em plena Alvalade
Fonte: Bola na Rede

Fico por aqui e vou para ali, para um país completamente diferente do meu. Se vou com medo ou com receio de alguma coisa? Claro que não. Já não tenho idade para isso. Vou com a mesma garra de sempre, com a mesma convicção, com a mesma confiança e o mesmo “amor” que é viver o futebol. Somente levo comigo uma mágoa que me apoquenta, mas que passará gradualmente. A mesma mágoa que talvez seja sarada apenas aquando do meu regresso. Sim, porque eu vou regressar “a casa” em breve. Isso não tenho sombra de dúvidas.

Sou muitas vezes “acusado” de ser orgulhoso ou mesmo de ser presunçoso. Pois não sou orgulhoso da forma como muitos tentam fazer passar para a praça pública. Sou orgulhoso sim, mas pelo meu trabalho. Orgulhoso de ter passado por históricos do futebol português e de, em todos, ter deixado a minha marca. De ter conseguido em Braga o que mais ninguém conseguiu. De ter alcançado no Benfica imensos títulos que tenho muitas dúvidas que voltem a acontecer nos tempos mais próximos dessa forma tão regular. De ter preenchido o coração dos sportinguistas de esperanças renovadas, e de ter colocado esse grande clube novamente no mapa dos candidatos ao título, dos candidatos a encantarem os adeptos e simpatizantes.

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