Este foi um Verão muito movimentado em Madrid. Desde logo, pelas conquistas, o Atlético Madrid venceu a Liga Europa e o Real Madrid CF conquistou a sua terceira Liga dos Campeões seguida, mas não foi “só” isso que mexeu com a cidade.

Zinedine Zidane, o homem que liderou o clube a essas conquistas, anunciou logo depois da final de Kiev, que não ia continuar à frente da equipa. Se essa notícia deixou muitos adeptos blancos com o pensamento, de que tinha chegado ao fim um era, o anúncio do substituído (nome e timing), Julien Lopetegui, veio acentuar ainda mais essa ideia. Por fim, a saída de Ronaldo deixou o mundo do futebol a pensar: O que Lopetegui pode trazer, ao clube mais dominador dos últimos anos do futebol mundial?

Desenho (não muito) novo

Meio campo

O novo sistema, curiosamente, não tem muito de novo. Lopetegui têm usado alternado entre o 4-3-3 (“de Zidane”) e o 4-2-3-1. Apesar de algumas mudanças, nos primeiros jogos, por certos jogadores terem “chegado tarde”, provavelmente será CaseMito, perdão Casemiro, a ocupar a posição mais recuada do meio-campo, na frente da defesa, sendo o responsável por cobrir o espaço à frente da linha defensiva e por garantir o fornecimento, através de uma posse de bola estável, da bola aos outros dois médios, particularmente a Toni Kroos. Cabe ao alemão controlar os ritmos da equipa, e os números não enganam. Jogou os 90 minutos, nos três primeiros jogos, com uma média de 111 passes por jogo, com uma percentagem ridícula de acerto de 96.6%.

Kroos será, na minha opinião, o protagonista da história que Lopetegui pretende escrever em Madrid e até se pode colocar a situação de ser ele a ocupar a “posição 5”, com Casemiro avançar no terreno. Semelhante ao que está a acontecer no Chelsea, com Kante a subir no meio campo, mas o campeão do mundo é uma pantera e Casemiro um rinoceronte.

Fonte: beIn Sports

Em lance corrido, vemos isso mesmo acontecer. Benzema baixa, grande mobilidade, mesmo para uma posição mais recuada que Casemiro, Asensio vêm dentro, estabelece-se uma estrutura que facilita a combinação e dá-se a jogada.

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Lopetegui está a apostar no mesmo trio de meio campo, mas vemos Kroos a jogar ligeiramente mais recuado que Modric, com o croata mais solto na frente. Apesar disso, muitos golos são uma cópia dos da época passada.

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A única diferença é que quem finaliza é Bale e não Ronaldo, mas o movimento de Benzema, para arrastar, é o mesmo.

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Em lance corrido, vemos como estas bolas são muito difíceis de defender, reparem na quantidade de vezes que o jogador do CD Leganes, que responde ao movimento de Carvajal, teve de mudar não só a sua posição corporal, mas a direção do seu deslocamento e ajustar os apoios. Tudo isto enquanto tinha de se preocupar com a bola e com o seu homem.

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Adeus BBC, olá BBA?

Nestes primeiros jogos, Gareth Bale e Asensio jogaram (pelo menos no papel) como extremos, mas tinham total liberdade para flutuar ao longo do último terço, assim como Benzema. Apesar dessa liberdade, ambos começavam as jogadas bem abertos nos corredores, na tentativa de esticar o adversário o máximo na horizontal, criando separação entre os vários jogadores do CD Leganes.

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Esta separação, particularmente entre o lateral e o central, permite a criação de situações de igualdade numérica nos corredores, mas de superioridade em termos reais, pela qualidade dos jogadores do Real Madrid CF vs adversários. Uma jogada comum, é quando o lateral (Carvajal/Marcelo), depois de uma variação do centro de jogo, solta no extremo à sua frente (Asensio/Bale), com este último a cortar para dentro, criando situações de desequilíbrio.

Já o segundo golo, frente ao CD Leganes, é uma excelente representação do que é a nova frente de ataque do Real Madrid CF: mobilidade, liberdade de movimentos.

Vemos, em baixo, como o movimento do espanhol, depois de entregar a bola, é perfeito. Os jogadores do CD Leganes estão a preparar-se para parar o movimento e se posicionar de forma a cortar as linhas de passe a Marcelo. Com o foco na bola, é nesse preciso momento que Asensio faz o movimento, e criar uma separação para os adversários que lhe permite cruzar com todo o tempo e critério para a cabeça de Benzema.

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A manipulação do lado cego do central, por Benzema, na preparação para a finalização também é para ter em consideração, são esses comportamentos que resultam nos tais golos que é: “Só encostar”.

Quem continua a criticar Benzema, vai começar a ter uma missão cada vez mais difícil. É um jogador, que dá o melhor de si em prol da equipa. A forma como se movimenta e como cria espaços para os companheiros, é vital para o sucesso do Real Madrid CF.

Pressão

Lopetegui têm integrado no Real Madrid CF, um sistema que procura negar ao adversário a possibilidade de construir desde trás, com o uso inteligente dos limites do campo. Como procura enviar a construção desde trás, vemos geralmente Benzema, como o primeiro jogador a pressionar o homem com bola, enquanto os restantes companheiros se aproximam dos adversários mais próximos da bola.

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Vemos como o Real Madrid CF, usa a linha em seu favor, obrigando a jogar longo e/ou promovendo o erro do adversário.

Parece-me que Lopetegui, quer ter um jogador sempre a pressionar a bola, enquanto os jogadores em redor focam-se em marcar, quase, homem a homem as opções que o adversário com a posse de bola possui. Isto é muito vantajoso, porque permite ao Real Madrid CF, ter a possibilidade de pressionar o adversário a todo e qualquer momento.

Este sistema pode funcionar, já que força muito os duelos individuais, onde homens como Casemiro e Ramos, saem quase sempre por cima, mas é muito perigoso frente a adversários que tenham jogadores com a capacidade técnica, que lhes permite resistir à pressão, como o Barcelona. Vamos ver qual é a abordagem do Real Madrid CF, nesses confrontos. Por isso digo, que esta equipa é …

Uma equipa à espera de um teste

Não existe, para já, muito mais para falar porque Lopetegui ainda não teve um adversário à altura. Estou muito expectante para o jogo de Sábado, onde o Real Madrid se desloca a Bilbao. Aquela que será a primeira prova de fogo, e trará muitas respostas. Isto, antes da estreia na Liga dos Campeões, com a receção em casa à AS Roma.

A próxima semana, vai nos permitir responder com mais exatidão à questão, com que comecei este artigo:

“Can he, deal with it? “

(he: Lopetegui)

 

Fonte Real Madrid CF

 

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