Na etapa 19 do Giro d’Italia 2018, enquanto Chris Froome cavalgava para uma épica e improvável conquista da Geral da Corsa Rosa, um jovem australiano de seu nome Ben O’Connor caia e dizia adeus à prova quando seguia num dos grupos perseguidores.

A representar uma Dimension Data que pratica com Louis Mentjes como líder – e que viria a ser uma das maiores decepções desse Giro -, o australiano usou a sua estreia em Grandes Voltas para confirmar as suas credenciais de homem a ter em conta para o futuro com exibições sólidas sempre que o terreno inclinava. Nessa etapa, antes da queda o tirar da competição, estava, mais uma vez, a mostrar-se entre os melhores e preparava-se para subir na classificação Geral, ficando muito próximo de um top dez final. 

Mesmo que esse cenário não se tenha concretizado, a sua participação na 101.ª edição do Giro d’Italia foi um sucesso e garantiu que o mundo do ciclismo estará muito mais atento à sua evolução nos próximos tempos.

Começando a carreira em equipas continentais australianas, começou a dar nas vistas em 2016 na Avanti IsoWhey Sport, o mesmo conjunto onde foram formados Richie Porte e Jack Haig. Com um par de vitórias e uma serie de bons resultados, afirmou-se como um ciclista com algum futuro, mas não era propriamente o mais pretendido dos jovens ciclistas e nem sequer foi selecionado para o Tour de l’Avenir, onde a seleção australiana esteve bem representado sob a liderança de Jai Hindley (hoje na Team Sunweb).

Ainda assim, a Dimension Data apostou nele e chamou-o ao escalão máximo do ciclismo, o World Tour. Surpreendendo muitos, Ben O’Connor não precisou de muito tempo para mostrar que vinha com intenções de se afirmar e depois de uma amostra com um oitavo lugar no Tour de Langkawi, venceu uma etapa e finalizou em quinto da duríssima Volta à Austria. Se não fosse o suficiente para o termos debaixo de olho, na preparação para o Giro voltou a brilhar com a conquista de uma etapa e um sétimo na Geral do Tour of the Alps. 

Com todos estes resultados, já percebemos as inegáveis qualidades deste jovem como trepador, que aparenta poder vir a ser um dos melhores do mundo e brilhar na alta montanha, o que o coloca, claro, como um candidato a vir a discutir provas de três semanas. Para ser ainda mais completo e perigoso nas provas por etapas terá de melhorar o seu contrarrelógio, mas para nos proporcionar espetáculo já não precisa de mais nada. 

Além da vertente desportiva, há que mencionar o carisma de Ben. Não de forma exuberante como Peter Sagan ou Bradley Wiggins, mas no seu jeito calmo e simpático é um ciclista do qual é difícil não gostar e, num desporto cujo modelo de financiamento das equipas assenta quase exclusivamente nos patrocínios, esse também é um ativo que não se pode ignorar. À Dimension Data é que isso também não passou despercebido e já renovaram com o prodígio australiano até 2020.

Com apenas 22 anos, Ben O’Connor terá certamente muitas mais quedas pela frente, mas, entre elas, terá também muitas vitórias para deliciar os fans do ciclismo.

Foto de Capa: Stiehl Photography/Team Dimension Data

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